Quem são os ministros portugueses?
Aliar a experiencia política à competência técnica é meio caminho andado para ser ministro em Portugal.
O político-especialista é o perfil que mais se repete.
Maria da Graça Carvalho, atual ministra do Ambiente e Energia, é apenas um exemplo.
Mais de 38% dos ministros combinam experiência política relevante com conhecimento técnico da área governativa.
“Nos 50 anos de democracia, o país desenvolveu um modelo de recrutamento híbrido, em que capital político e competência técnica coexistem”, conclui o estudo “Quem Governa Portugal? Perfis ministeriais em perspetiva comparada”, lançado esta segunda-feira, com a chancela da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Coordenado por Marcelo Camerlo e António Costa Pinto, este retrato inédito dos ministros da democracia mostra como evoluiu o recrutamento ministerial ao longo de quase cinco décadas e o que essa evolução revela sobre o funcionamento do sistema político.
A elite ministerial portuguesa é altamente qualificada: 98,4% dos ministros têm formação superior, ainda que em cerca de 40% dos casos não seja diretamente associada à pasta que ocupam.
Cerca de 78% apresenta, no entanto, experiência profissional relacionada com a pasta que assume.
Portugal ganha a Espanha, Itália e Grécia na valorização da especialização técnica, apresentando a maior percentagem de peritos (31%) entre os países do sul da Europa.
Esta primazia de tecnocratas, não retirou influência aos partidos na composição dos Governos.
Entre os ministros filiados, cerca de 70% ocupavam cargos dirigentes nos respetivos partidos.
Apesar de 36% dos ministros serem formalmente independentes, 40% destes são “semi-independentes”, ou seja, sem filiação, mas com ligações informais a partidos.
São pessoas que gravitam na esfera dos partidos.
Exemplos? Mariano Gago era um independente puro quando António Guterres o convidou, primeiro, para os Estados Gerais de 1995 e depois para ministro da Ciência e Tecnologia.
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