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Portugal está preparado para uma onda de violência nas ruas? "A polícia tenta aguentar até onde pode"

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Portugal está preparado para uma onda de violência nas ruas? "A polícia tenta aguentar até onde pode"

"Se as pessoas não estão preocupadas, eu começo a ficar." Bruno Pereira, subintendente da Polícia de Segurança Pública (PSP) e presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Policia (SNOP), não esconde, em entrevista à CNN Portugal, a preocupação com a sucessão de confrontos entre manifestantes e forças de segurança na Europa e a possibilidade de este padrão chegar a Portugal.

Na madrugada desta quinta-feira, pelo menos 37 manifestantes ficaram feridos na Praça D. João I, no Porto , dois dos quais com fraturas que obrigaram a hospitalização. Para o responsável policial, o sinal de alerta está no "mimetismo" e na "contaminação social" dos protestos que têm marcado vários países europeus.

"Começo a ficar preocupado a partir do momento em que percebemos que há um certo mimetismo, uma certa contaminação social destes protestos por toda a Europa, quer em França, quer em Espanha, quer na Bélgica, com manifestações que são tudo menos pacíficas", afirma.

A preocupação não se limita ao que aconteceu no Porto, mas ao que poderá acontecer a seguir. Francisco Rodrigues, coronel e presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), considera que os protestos poderão estender-se a outras cidades portuguesas, sobretudo perante a intenção manifestada pelos organizadores de promover novas ações, estando até prevista uma concentração semelhante para Lisboa já no próximo sábado.

"É evidente que isto vai ter repercussões, portanto vai haver a proliferação deste tipo de manifestações em vários pontos do país", antecipa.

A resposta dos dois responsáveis é, em termos de capacidade operacional, afirmativa. No entanto, ambos reconhecem que a dimensão dos acontecimentos e a sua evolução podem condicionar a resposta no terreno.

"Eu acredito que sim. Agora dependerá sempre da proporção, do mimetismo, que possa entretanto surgir à volta de tudo isto", afirma Bruno Pereira, quando questionado sobre se Portugal está preparado.

O dirigente sindical lembra que a PSP tem experiência na gestão de manifestações com diferentes orientações políticas e graus de tensão.

"A PSP em particular, que é aquela que mais tem de enfrentar e sempre enfrentou e soube lidar com manifestações muitas vezes até antagónicas, manifestações mais violentas, à direita e à esquerda", sublinhou.

Francisco Rodrigues também considera que as forças de segurança dispõem de preparação para enfrentar situações de alteração da ordem pública: "No caso português, estamos sim preparados para enfrentar situações destas".

O presidente do OSCOT aponta para a preparação técnica e humana, o treino operacional e os equipamentos disponíveis para estas missões. Mas faz uma ressalva: não é possível antecipar todas as circunstâncias de uma operação. "É difícil prever o que é que vai acontecer no decurso", reconhece.

É precisamente na diferença entre estar preparado e conseguir controlar imediatamente qualquer cenário que reside uma das principais dificuldades.

"Vamos supor que, entretanto, aquele grupo que se está a manifestar ganha uma dimensão tal que a força de segurança vai ter necessidade de reforços para resolver", explica Francisco Rodrigues.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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