O que se estuda é que faz a diferença na qualidade do emprego
Estudar Psicologia é uma coisa, estudar Engenharia, outra.
A área de estudo é determinante para aferir a qualidade do emprego que se vai ter, revela o estudo Resultados no mercado de Trabalho dos Diplomados do Ensino Superior, do portal EDULOG, think tank para a educação da Fundação Belmiro de Azevedo, divulgado esta quinta-feira, 3 de setembro.
O fator que mais define o risco de desemprego ou a qualidade do emprego não é o nome da instituição, se é universidade ou politécnico, se é pública ou privada – é área que se estuda.
Os diplomados de Artes, Psicologia, Ciências Naturais, Matemática e Estatística, Humanidades e Línguas apresentam uma probabilidade de desemprego, pelo menos, 10 pontos percentuais superior à dos diplomados de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção, adianta o estudo.
É assim à entrada do mercado de trabalho, mas também cinco anos depois da conclusão dos estudos, embora com menos expressão.
A nota final do curso é a variável mais consistentemente associada ao desemprego, tendo estudantes com melhores médias finais menor probabilidade de desemprego.
O género também apresenta um efeito relevante, com as mulheres a registarem uma probabilidade significativamente mais elevada de desemprego, embora apenas cinco anos após a conclusão do curso.
A experiência profissional está associada a uma menor probabilidade de desemprego apenas no primeiro ano, enquanto a idade e a experiência internacional durante o curso não apresentam efeitos significativos.
O mestrado está associado a uma menor probabilidade de desemprego face à licenciatura; contudo, ao fim de 5 anos, a diferença deixa de ser estatisticamente significativa.
Esse efeito verifica-se apenas na coorte mais recente e em três áreas: Línguas; Ciências Sociais, Jornalismo e Informação; e Gestão e Administração.
Já o tipo de instituição frequentada – se é pública ou privada, universitária ou politécnica – não apresenta, em geral, efeitos estatisticamente significativos sobre a probabilidade de desemprego, reforçando o peso da área de formação.
Conseguir emprego não é o mesmo que ter um emprego de qualidade O estudo analisa cinco dimensões da qualidade do emprego: salário por hora, estabilidade contratual, satisfação, sobrequalificação e alinhamento entre formação e emprego.
TIC e Engenharia destacam-se pelos diferenciais salariais positivos e por níveis mais elevados de satisfação, sendo as TIC também associadas a maior estabilidade contratual.
No outro prato da balança figuram várias áreas das Artes, Humanidades, Bem-estar e Serviços.
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