SEDES quer candidatura olímpica de Lisboa para acelerar obras e requalificar zonas degradadas
A Associação para o Desenvolvimento Económico e Social apresentou ao Governo uma proposta para candidatar Lisboa aos Jogos Olímpicos, ancorando no maior evento desportivo mundial obras estruturantes e a requalificação de zonas degradadas.
A informação foi avançada pelo jornal Sol e, em declarações à Lusa, o presidente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), Álvaro Beleza, revelou que o documento – que se enquadra no âmbito de um trabalho de planeamento estratégico para a região de Lisboa, com um horizonte de 10 anos - foi também remetido, na quinta-feira, ao Comité Olímpico de Portugal (COP) e ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.
O responsável considera que a definição de uma data para a realização dos Jogos poderia ajudar a cumprir os calendários de obras como o novo aeroporto, a ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa, Porto e Madrid e uma terceira travessia do Tejo .
"A ideia é que, tendo uma data, obriga o país a cumprir e a terminar mesmo as obras ", afirmou, defendendo que a organização de um evento desta dimensão poderia funcionar como um objetivo mobilizador para concretizar investimentos há muito previstos, tal como a Expo98.
O responsável reconheceu que o calendário para uma candidatura à organização dos Jogos Olímpicos de 2036 é apertado , uma vez que o prazo para manifestar interesse termina em 31 de outubro, mas distinguiu essa etapa da apresentação de uma candidatura formal.
" Pré-candidatura não é candidatura.
É só dizer, levantar o braço, nós estamos aqui e também queremos ir a jogo", afirmou, defendendo que o processo deve começar mesmo que Portugal não consiga concorrer à edição de 2036.
Nesse caso, a SEDES admite apontar às edições de 2040 ou 2044, uma vez que a preparação de um projeto desta dimensão exige vários anos.
"Este caminho deve ser começado e, mesmo que não seja possível para 2036, continuar o caminho", disse.
O presidente da SEDES considera que Lisboa reúne condições para acolher os Jogos Olímpicos, destacando a presença do rio e do mar, a disponibilidade de espaço, o clima temperado no verão, a localização geográfica e a segurança.
"Lisboa tem condições óbvias para ter Jogos Olímpicos", afirmou, reconhecendo, contudo, a necessidade de criar algumas infraestruturas, nomeadamente piscinas.
Álvaro Beleza defendeu que uma eventual organização deve aproveitar os equipamentos já existentes e distribuir algumas modalidades por outras regiões do país.
Como exemplos, apontou a possibilidade de realizar provas de ginástica no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, e competições de remo e canoagem em Montemor-o-Velho.
Na sua perspetiva, esta descentralização permitiria alargar o impacto dos Jogos além da capital e aproveitar as infraestruturas desportivas disponíveis no país.
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