Escola em Lisboa impede alunos sem professor de entrar. Pais chamam PSP
A Escola Básica Professora Aida Vieira, em Lisboa, terá impedido os alunos que não têm professor de entrar no estabelecimento de ensino, numa altura em que o ano letivo já começou.
De acordo com a SIC Notícias, a proibição está a indignar os pais, que chamaram, na manhã desta quarta-feira, 16 de setembro, a polícia ao estabelecimento de ensino.
"Há três semanas afixaram o papel a dizer que os meninos que não tinham professor não podiam entrar e eu decidi que hoje, quando chegasse aqui, se proibissem o meu filho de entrar eu chamava a polícia e aí já arranjaram solução", disse uma das mães que protestou hoje contra a medida em frente ao portão da escola, adiantando que “a solução foi ficarem com uma professora de inglês”.
Já outra mãe mostrou-se descontente: “Hoje é uma solução, amanhã arranjam outra e depois outra. O que é que vem a seguir? É um direito da criança vir à escola, ter aulas, aprender”. Segundo os pais, “só o segundo ano é que tem professor nesta escola”.
Já a escola alega que, além da falta de professores, que está a tentar resolver, também não tem funcionários suficientes.
Entre os alunos que não têm docente atribuído estão crianças com necessidades educativas especiais que ficam sem as terapias.
A solução definitiva continua a ser uma incógnita, para já, o problema será resolvido dia a dia.
Entretanto, a Missão Escola Pública revelou que a Escola Básica Professora Aida Vieira não é caso único. Ainda há "163 mil alunos" sem professor, principalmente nos distritos de Lisboa e Setúbal, onde o problema se agonizou no último ano. Para o movimento, as medidas do Governo não têm sido suficientes.
"Tendo em conta que é uma classe tão envelhecida e que está tão desgastada devido às horas extraordinárias que tiveram de ser asseguradas nos últimos dois anos, acreditamos que, principalmente, no mês de outubro vão, certamente, entrar mais pedidos de baixa ou atestado médico, o que irá agravar este número de alunos que não têm professor, notou Cristina Mota, adiantando que, neste momento, são já mais de 2 mil os docentes que meteram baixa só na última semana e há ainda a somar ao problema os mais de 1.100 que se vão reformar nos próximos meses.
Por isso, o movimento exige a revisão da carreira docente. "Nós temos uma profissão onde quem entra vem ganhar cerca de 1.300 euros e, neste momento, estão a auferir um vencimento maior mas apenas como uma medida momentânea, temporária, que depois não se vai refletir na progressão da carreira e isso não é atrativo", atirou a responsável.
O primeiro ciclo e pré-escolar, assim como a disciplina de informática, serão dos mais problemáticos.
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