Quanto vale a minha atenção?
A última década assistiu a um aumento da competência do marketing em conseguir medir e otimizar comportamentos.
Perseguimos de forma desenfreada cliques, custo de aquisição, conversão e seus derivados, que passaram a orientar decisões com uma precisão nunca vista.
Simultaneamente, aplainámos marcas e posicionamentos, criámos mensagens previsíveis, e com isso tornámos a comunicação e a publicidade aborrecidas e sem sentido.
E graças a tudo isto, “ensinámos” os consumidores a fazer skipping , zapping e scrooling , ou seja, a fugir de nós.
Vem isto a propósito de Philip Kotler ter acabado de lançar um novo livro — Marketing 7.0 — que recoloca a mente humana no centro da estratégia.
Tendo em conta que a Inteligência Artificial torna a produção de estímulos banal e quase ilimitada, a questão desloca-se da captação da atenção para o valor que ela produz.
Depois de anos a insistirmos na lógica perversa do always-on e das suas métricas associadas, estamos todos a chegar à conclusão de que a destruição de valor a prazo nas marcas é inegavelmente superior ao valor de vendas de curto prazo que gera.
A economia digital habituou-nos, de forma errónea diga-se, a pensar na atenção como um recurso a conquistar pela presença permanente e exagerada.
Os militares chamam a este comportamento uma guerra de atrição.
Lançamos tudo o que temos de forma contínua e esperamos que o “rival” desista.
O problema é que o rival não desistiu, e fez o mesmo do que nós.
E aqueles que queríamos servir — os consumidores, todos nós — fomos apanhados por uma luta que nos cansa e onde não queremos participar.
Desistimos da marca, não por falta de comparência, mas por demasiada presença.
E com isto, descobrimos também que nem toda a atenção tem o mesmo valor.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.