A China adora locais históricos. E os turistas não se importam que não sejam os originais
A China tem orgulho na sua história. Só há um problema: grande parte dessa história perdeu-se em incêndios, guerras, pilhagens e revoluções.
É aí que entram os chamados fanggu, que são atrações de “imitação histórica”. Por todo o país, é possível encontrar aldeias inteiras que simulam a antiguidade, mas que foram construídas de raiz. Há palácios reluzentes e avenidas majestosas. Cada detalhe foi pensado com o maior dos cuidados. Há trepadeiras transplantadas em massa e telhas que são esfareladas mecanicamente. O resultado acaba por ser uma fusão grandiosa - embora por vezes bizarra - de história dinástica, arquitetura e geografia.
Por sua vez, os consumidores modernos estão "cada vez mais dispostos a pagar pelo valor emocional, procurando um envolvimento mais profundo e um significado cultural através de experiências imersivas", explica Yang Jinsong, que é diretor do Instituto Internacional da Academia de Turismo da China, em declarações ao ao jornal estatal Diário do Povo.
As aldeias fanggy parecem oferecer a fuga perfeita para muitos viajantes domésticos frustrados com uma economia estagnada. Ali, por um valor médio que não chega aos 13 euros, é possível escolher entre centenas de trajes tradicionais já prontos, conhecidos como Hanfu.
Por mais 10 euros, desbloqueiam o pacote completo: maquilhagem, acessórios, fotografia profissional e edição de pós-produção. Procurando a estética clássica do rosto pálido com lábios vermelhos, estes ensaios fotográficos tornaram-se uma sensação, completamente virais, na popular plataforma de redes sociais Xiaohongshu (RedNote).
E, agora, há também visitantes estrangeiros a aderir. O Chinamaxxing – que é um movimento impulsionado pelas redes sociais que populariza as práticas e a estética chinesas – convenceu muitos jovens a planear umas férias na China. Mas como são mesmo estas cidades fanggu?
Esqueça Veneza. É que Gubei tem canais, ruas empedradas, casas de chá iluminadas por lanternas, casas com telhas cinzentas. Situada junto à secção Simatai da Grande Muralha da China, é o santuário perfeito depois de um passeio debaixo do sol escaldante. É possível desfrutar de um passeio de barco, onde salgueiros centenários ladeiam as margens. Ou passear pela praça central, onde há placas fragmentadas a espreitar pelas trepadeiras. É provável que o seu guia lhe diga que a "vida ribeirinha" da Dinastia Qing é romântica.
Gubei é descrita como uma típica aldeia aquática de Jiangnan. O que parece não importar é o facto de as aldeias aquáticas de Jiangnan nunca terem existido a norte – Jiangnan significa "a sul do rio Yangtzé", a cerca de 1.300 quilómetros de distância.
Gubei não é, por isso, uma relíquia antiga. Foi construída em 2014 por uma empresa estatal. O investimento na ordem dos 500 milhões de euros combinou duas das atrações mais adoradas da China: a Grande Muralha, no norte, e as cidades aquáticas, no sul. O que antes exigia um voo de duas horas, a partir de Pequim, está agora a duas horas de carro.
Nos últimos anos, Gubei conquistou os corações – e as carteiras – dos fatigados residentes de Pequim, bem como dos curiosos turistas estrangeiros.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.