Habitação: novas medidas podem aumentar a oferta, mas acesso exige resposta mais ampla
Nuno Leal considera que o pacote de medidas para a habitação terá um efeito gradual.
Sobre a descida do IVA, afirma: “É obviamente uma medida positiva”, por fomentar a construção e alimentar a oferta.
Mas o desequilíbrio entre oferta e procura não desaparecerá no curto prazo e as medidas precisam de tempo para se traduzirem em casas no mercado.
No financiamento, não existe atualmente, do lado da banca, um problema de disponibilidade de crédito à habitação.
Em 2025, referiu, foram concedidos 29 mil milhões de euros, dos quais 6 mil milhões corresponderam a transferências, e 77% dos créditos foram contratados a taxa mista.
Para o co-CEO do Doutor Finanças é também necessário articular a política de crédito com as regras macroprudenciais .
Essa articulação é relevante num mercado em que o estímulo à procura, sem um aumento correspondente da oferta, pode agravar desequilíbrios já existentes.
Patrícia Barão coloca igualmente a oferta no centro do problema , sublinhando que houve décadas em que a oferta nova representava valores na ordem dos 20%, enquanto na última década o stock habitacional aumentou apenas 1,9%.
A procura, pelo contrário, permanece dinâmica: 95,3% das casas transacionadas são adquiridas por pessoas ou famílias com residência fiscal em Portugal.
A redução do IVA pode estimular a construção, mas “criar esta oferta vai precisar de tempo”.
Por isso, insiste: “Nós não temos uma bala de prata”.
Para a presidente da APEMIP, a dificuldade é especialmente visível em quem ainda não dispõe de uma casa para vender e usar como capital numa nova compra.
“Eu concordo 100% que estamos a viver uma crise de acesso à habitação”, afirma, defendendo casas novas a valores compatíveis com os rendimentos das famílias.
Miguel Mateus centra a análise na previsibilidade.
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