Bancos avaliaram menos 5,5% de casas num mês e o volume trava antes do preço
Nas séries que descrevem o mercado da habitação, o preço é sempre o indicador que apanha a atenção e é quase sempre o último a mexer-se.
Quem quiser antecipar uma inflexão tem de olhar para outro lado: para a quantidade de operações que se preparam antes de qualquer transação ser fechada.
A avaliação bancária é um desses indicadores adiantados, porque acontece no início do processo e não no fim.
Os bancos realizaram cerca de 33.600 avaliações de imóveis em junho, segundo o Instituto Nacional de Estatística, menos 5,5% do que no mês anterior.
Em termos homólogos, o volume ainda cresce 3,0%, o que impede leituras dramáticas.
Mas a combinação das duas variações desenha um padrão característico de um mercado que continua acima do ano passado e já não acelera.
A quebra mensal é o primeiro sinal de travagem numa série que vinha a subir com regularidade.
O que torna este indicador útil é o momento em que é gerado.
Uma avaliação bancária é pedida quando existe um processo de crédito em curso e um imóvel identificado.
Não mede intenções nem pesquisas: mede negócios em preparação.
Uma quebra no número de avaliações num mês tende, por isso, a aparecer nas estatísticas de crédito concedido dois a três meses depois, quando esses processos chegam, ou não chegam, à escritura.
Há três explicações plausíveis para a variação e nenhuma delas se anula.
A primeira é sazonal: junho antecede o período de férias e é frequente haver adiamento de decisões para setembro.
A segunda é a antecipação regulatória, com processos a serem acelerados nos meses anteriores para escapar às regras de concessão que entrariam em vigor pouco depois, deixando junho mais vazio por efeito de esgotamento.
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