Com a verdade me enganas
Estamos habituados a pensar que o oposto da mentira é a verdade.
Na tomada de uma decisão económica, isso pode não ser suficiente.
Entre a mentira e a verdade existe um território muito mais vasto: a verdade incompleta Vivemos numa época em que nunca tivemos tanta informação disponível.
Temos dados em tempo real, sistemas digitais, indicadores económicos, demonstrações financeiras, relatórios de gestão, auditorias, estatísticas e instrumentos cada vez mais sofisticados de tratamento e análise.
E, no entanto, continuamos a tomar decisões com informação insuficiente.
Parece um paradoxo, mas talvez não seja bem assim: a questão primordial não é ter ou não ter informação, mas antes em sabermos se a informação que temos é suficiente para representar a realidade que pretendemos conhecer.
Porque uma informação pode ser verdadeira e, ainda assim, conduzir a uma compreensão incompleta.
E uma compreensão incompleta na maioria dos casos, produz uma decisão errada.
A verdade de uma parte não é necessariamente a verdade do todo.
Por exemplo, imaginemos uma empresa que apresenta resultados positivos.
A informação pode estar correta, os resultados podem ter sido apurados de acordo com as normas aplicáveis e as demonstrações financeiras podem não conter qualquer erro material.
Mas imaginemos ainda que essa mesma empresa depende fortemente de um único cliente, e enfrenta um litígio relevante, com compromissos financeiros significativos ou apresenta uma concentração de risco que não é imediatamente percetível quando olhamos apenas para um determinado indicador.
O resultado continua a ser verdadeiro, mas já não é suficiente para conhecer a realidade económica da empresa.
A questão não está, portanto, na falsidade da informação, está naquilo que fica de fora da informação que escolhemos observar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.