Pesca com bombas na Indonésia destrói corais a cada 62 minutos
Apesar de a pesca com explosivos – blast fishing – ser proibida por lei há mais de duas décadas, a utilização sistemática de engenhos artesanais continua a pulverizar ecossistemas seculares no Arquipélago de Spermonde, ao largo da ilha de Célebes, no sul da Indonésia.
A denúncia parte de uma equipa internacional de cientistas que recorreu a Inteligência Artificial e a uma rede de hidrofones subaquáticos para revelar que se regista, em média, uma detonação a cada 62 minutos, conforme avançado esta segunda-feira, 17 de agosto, pela BBC Wildlife Magazine .
A devastation contínua nas profundezas do Triângulo de Coral destrói o equivalente à área da Cidade do Vaticano – cerca de 0, 49km² ou, o mesmo é dizer, 49 hectares ou 490 mil metros quadrados – a cada três anos e sufoca o sustento de milhares de famílias costeiras.
O estudo, conduzido por investigadores da Zoological Society of London (ZSL), da Universidade de Hasanuddin (UNHAS) e do University College of London (UCL), analisou 3650 horas de áudio subaquático captadas ao longo de 16 meses.
A utilização de algoritmos de aprendizagem automática ( machine learning ) permitiu filtrar o ruído marinho e confirmar a ocorrência de 3567 explosões no período de amostragem.
Os dados projetam um volume anual assustador: cerca de 8446 detonações por ano na área monitorizada, resultando na perda direta de mais de 160.000 metros quadrados de recifes de coral saudáveis.
"A escala do problema ultrapassou todas as nossas estimativas iniciais.
O ruído do recife saudável, que normalmente parece uma fogueira a estalar devido aos camarões-pistola e aos sons dos peixes, desaparece completamente após a vaga de destruição, dando lugar a um silêncio desolador", explicou Ben Williams, investigador da ZSL e principal autor do trabalho, citado pela BBC Wildlife Magazine.
Por sua vez, o professor Jamaluddin Jompa, marinho-biólogo e coautor da investigação pela Universidade de Hasanuddin, sublinhou a urgência de uma intervenção policial cirúrgica: "Temos trabalhado em projetos de restauração de corais há mais de 20 anos, mas todos os esforços de recuperação marinha se tornam inglórios quando uma única bomba pode destruir décadas de crescimento num fração de segundo." Bombas de fertilizante e táticas de evasão à noite As investigações e reportagens no terreno, reforçadas por dados recolhidos pela media britânica, revelam a facilidade e o baixo custo com que estes explosivos são confecionados.
Os engenhos artesanais são feitos com recurso a garrafas de vidro que são cheias com uma mistura de nitrato de amónio (um acessível fertilizante agrícola) e querosene, às quais se junta um detonador simples.
Ao explodir na água, a onda de choque rompe instantaneamente a bexiga natatória dos peixes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.