Irão diz desconhecer origem de ataque contra PM do Curdistão iraquiano
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que não tinha conhecimento de que o ataque com drones lançado contra o gabinete do primeiro-ministro do Curdistão iraquiano, Masrour Barzani, tivesse tido origem em território iraniano, segundo uma nota informativa da diplomacia do Iraque.
Foi esta mensagem que transmitiu ao homólogo iraquiano, Fuad Hussein, durante uma conversa telefónica em que ambos abordaram o ataque com drones do tipo Hadid-110 contra o gabinete de Barzani, indicou ainda o comunicado publicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Iraque.
"Não dispunha de informações que indicassem que os ataques tivessem tido origem em território iraniano", relatou o ministério iraquiano.
De acordo com esta mesma fonte, "Araghchi manifestou a sua surpresa" pelo incidente e considerou que uma ação deste tipo "carecia de justificação", dadas as "relações positivas e sólidas entre o Irão e o Governo Regional do Curdistão", bem como com os seus dois principais partidos políticos.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, ordenou, por sua vez, a criação de uma comissão de inquérito para identificar os autores e a origem do ataque com drones, informou o gabinete governamental.
Momentos antes, a diplomacia iraniana tinha condenado o ataque contra o gabinete do líder desta região autónoma no norte do Iraque, que não provocou vítimas, e qualificou a operação como "suspeita", segundo a agência iraniana IRNA.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei "salientou a determinação do Irão em preservar (...) as relações amigáveis com o Iraque e o Curdistão" e "insistiu na necessidade (...) de frustrar as sinistras conspirações dos inimigos do Irão e do Iraque que visam prejudicar" as suas relações.
Os serviços de combate ao terrorismo desta região do norte do Iraque tinham afirmado, durante hoje de manhã, que este ataque, que visava também a residência do chefe da Agência de Segurança e Informações do Curdistão, tinha sido lançado "a partir da fronteira com o Irão".
"Dois drones carregados com explosivos, do tipo Hadid-110, foram lançados a partir do Irão contra a sede do primeiro-ministro da região do Curdistão", Masrour Barzani, assim como contra "a residência do diretor do serviço regional de segurança no distrito de Pirmam, na província de Erbil", indicaram, em comunicado, os serviços antiterroristas da região do Curdistão.
"Felizmente, os ataques não causaram vítimas", acrescentou o comunicado, que condenou estas agressões "nos termos mais veementes, uma vez que são completamente inaceitáveis", e responsabilizou "plenamente os autores pelas consequências".
O primeiro-ministro curdo confirmou, nas redes sociais, que o seu "gabinete pessoal foi alvo de um ataque iraniano com drones".
"Condeno veementemente estas agressões imprudentes e inaceitáveis", afirmou Barzani, acrescentando que esta ação constitui "uma escalada perigosa e uma ameaça direta à segurança e à estabilidade da região".
Estes ataques ocorrem um dia depois de o 'site' norte-americano Axios ter noticiado que Washington tinha recorrido, no início deste ano, ao presidente da região do Curdistão, Nechirvan Barzan
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