Carlos Moedas associa aumento do consumo de droga ao Volta e pede a Bruxelas revisão do sistema
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu esta quarta-feira, 14 de outubro, em Bruxelas, a revisão do sistema de depósito de embalagens Volta, que atualmente atribui um reembolso de dez cêntimos.
O edil lisboeta considera que a medida provoca "problemas sociais graves" na capital.
"Penso que esta política do Volta precisa de ser revista", afirmou o autarca social-democrata e ex-comissário europeu, que salientou que estas "políticas europeias estão muito longe das pessoas." Carlos Moedas falava aos jornalistas à margem da sessão plenária do Comité Europeu das Regiões e depois de uma reunião com a Comissária Europeia do Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular, Jessika Roswall.
Apesar de dizer que a "intenção da política é boa", assinala que a implementação "está a ser muito má." O autarca garantiu ter exibido à Comissária vídeos e fotografias do que sabe acontecer em Lisboa.
Jessika Roswall, segundo Moedas, respondeu que vai "fomentar uma reunião técnica" com a Comissão, o Governo português e o município de Lisboa.
Moedas defendeu uma solução à semelhança do que acontece em França, em que o sistema foi suspenso em algumas cidades, havendo uma flexibilidade na sua aplicação.
Carlos Moedas é vice-presidente no Comité das Regiões e salientou que a habitação é um dos maiores desafios, preferindo, porém, o depósito de embalagens como tema primordial.
E associou a medida a um aumento no consumo de droga.
"Tenho relatórios de pessoas que estavam em tratamento de droga e que agora passaram a utilizar o sistema como uma maneira de ir encontrar mais um pouco de droga, de continuar a manter o vício, a adição, isso é muito preocupante .
E, portanto, as políticas ambientais são muito importantes, são cruciais, mas devem olhar em primeiro lugar para a dignidade humana", defendeu, embora considerasse que "os dramas já lá estavam." " Quando nós temos uma pessoa que está num programa de adições e deixa esse programa para ir coletar 10 cêntimos em 200 ou 300 garrafas para voltar para a droga, então nós estamos a fazer com que esse problema que já existia, que estava a ser tratado, aumente ", apontou, identificando, que "está a entrar hoje mais droga em Portugal" e que "há, de facto, uma inundação, seja de cocaína como de crack." Há um mês, Maria da Graça Garvalho, ministra do Ambiente e Energia, respondeu que o Volta é " um sistema de retorno que é uma obrigação europeia." "Era uma reforma do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas é também uma obrigação da legislação europeia”, explicou, recusando o pedido do também social-democrata Carlos Moedas de recuar na medida.
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