As ligações portuguesas do banco que está a agitar as eleições no Brasil
“Queremos ser o banco dos brasileiros na Europa”.
Assim anunciava Daniel Vorcaro em janeiro de 2022 numa declaração ao seu estilo, ambicioso, após o Banco Master ter chegado a um acordo com angolanos para comprar o BNI Europa e expandir as suas operações para o outro lado do Atlântico.
Ano e meio depois, Vorcaro saiu de cena sem nunca ter obtido autorização do Banco de Portugal e quando o seu banco já começava a mostrar sinais de alerta.
O Banco Master está hoje no centro da polémica e não só por causa do escândalo financeiro e da falência que abriu um buraco de milhões no sistema financeiro brasileiro.
A queda do banco expôs uma teia complexa de influências que Daniel Vorcaro estabeleceu a nível político e que está a agitar os corredores do poder em Brasília e a mexer com a corrida presidencial, envolvendo diretamente tanto Lula da Silva como Flávio Bolsonaro, os dois candidatos mais bem posicionados para a primeira volta no dia 4 de outubro.
Os dois lados da barricada acusam-se mutuamente de promiscuidade com Vorcaro.
Lula encontrou-se com ex-banqueiro no final de 2024 , poucos meses antes da liquidação.
A oposição quer saber que interferência houve do Presidente no caso que teve um desfecho trágico.
E nos últimos dias foram divulgados documentos que mostram que Vorcaro transferiu 12 milhões de dólares para ajudar a financiar o filme “Dark Horse”, um documentário sobre a vida do ex-Presidente Jair Bolsonaro e que seria um dos trunfos da campanha do filho.
Lula diz que a ascensão de Vorcaro e do Master se deu no governo de Bolsonaro.
O candidato à presidência do Brasil, Flavio Bolsonaro, discursa num evento que assinala o Dia da Independência do Brasil na Avenida Paulista, em São Paulo, Brasil, a 7 de setembro de 2026.
EPA/ISAAC FONTANA Nunca foram conhecidas as razões para o ‘veto de gaveta’ do Banco de Portugal em relação ao negócio do BNI Europa.
Mas, olhando agora em perspetiva, evitou que a queda do Banco Master tivesse também repercussões no sistema financeiro português.
O Banco Master chegou a pagar um sinal de 8,5 milhões de euros aos donos angolanos do BNI Europa, entre os quais se encontra o ex-vice-governador do Banco de Angola Mário Palhares.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.