TVDE? Associações do táxi querem análise de "inconstitucionalidades"
A Associação Nacional de Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) e a Federação Portuguesa do Táxi (FPT) pronunciaram-se hoje sobre a promulgação do diploma pelo Presidente da República, António José Seguro, esta semana, e consideraram, num comunicado conjunto, que a alteração aprovada vai criar "vantagem concorrencial injustificada" e "desigualdade entre operadores".
Estão também em causa, segundo as duas estruturas, "a alteração substancial das condições de acesso ao mercado" e "o aproveitamento de uma licença pública para duas atividades com regimes diferentes".
A alteração ao regime do transporte TVDE vai permitir que "veículos licenciados para o transporte em táxis sejam afetos alternadamente à atividade de TVDE" e isso "não é [...] compatível com os princípios estruturantes da Lei n.º 10-90, de 17 de março, enquanto lei de bases do Sistema de Transportes Terrestres, designadamente com os princípios de ampla e sã concorrência e de justa igualdade de tratamento das empresas de transporte", argumentaram a ANTRAL e FPT.
"O táxi, ao manter as suas obrigações de serviço público, o licenciamento municipal, os requisitos específicos e os demais encargos que sobre si impendem, ao passar a poder utilizar o mesmo veículo também no mercado TVDE, permite uma desregulamentação do mercado existente, criando uma vantagem concorrencial e incompatível com o princípio da igualdade de tratamento entre empresas transportadoras de táxi", fundamentaram.
As duas estruturas do setor do táxi lamentaram que o Presidente da República tenha "desconsiderado" os apelos que lhe foram dirigidos para que vetasse o diploma e "ponderam não só apresentar queixas junto do provedor de Justiça, mas também exortar a AMT [Autoridade da Mobilidade e dos Transportes] a tomar todas as medidas ao seu alcance para a defesa do transporte público e dos princípios estruturantes da Lei de Bases do Sistema de Transportes Terrestres".
A ANTRAL e a FPT vão também "requerer ao Tribunal Constitucional, indiretamente pelos meios legais ao seu alcance, a apreciação das inconstitucionalidades que se verificam", tendo em conta que a alteração aprovada promove uma "vantagem concorrencial injustificada", a "desigualdade entre operadores" e "o conflito entre as obrigações de serviço público do táxi e a lógica comercial do TVDE".
"As duas associações reafirmam que continuarão a acompanhar, de forma articulada e por todos os meios institucionais e legais disponíveis, a fase de regulamentação do novo regime, em defesa do setor do táxi, do interesse público e dos utentes do transporte público passageiros", garantiram ainda.
Na quarta-feira, as associações representativas dos TVDE (que operam em veículos descaracterizados) consideraram que a promulgação do decreto de revisão da Lei n.º 45/2018 mantém a injustiça no setor, como até ao momento, lembrando que o utilizador deve ser salvaguardado pelas entidades reguladoras dos transportes.
"A primeira sensação que temos é que o setor TVDE vai acabar por continuar esta saga de ser um setor altamente injustiçado, completamente debaixo do domínio das plataformas", disse à Lusa Ivo Fernandes, da Associação Portuguesa de Transportadores em
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