"Todos nós somos a Maricarmen!": depois dos protestos dos ativistas e da carga policial, esta mulher de 87 anos foi despejada de sua casa
"A Maricarmen fica", "Esta senhora poderia ser a tua avó", "Não nos vamos embora, ficamos", "Teria vergonha de ser polícia" - estes foram alguns dos slogans proclamados pelos ativistas à porta de Maricarmen, uma mulher de 87 anos e com deficiência que enfrentava um processo de despejo da casa onde residia há sete décadas, na rua Alcalde Sáinz de Baranda, em Madrid, Espanha.
Centenas de manifestantes reuniram-se no local esta quarta-feira - muitos deles acampados desde a noite anterior - num esforço para impedir a quarta tentativa de despejo. Ativistas do sindicato de inquilinos de Madrid e Barcelona, e celebridades como o ator Carlos Bardem e a cantora e atriz Ana Belén, juntaram-se ao protesto. Atrás da porta trancada do edifício, mais manifestantes ocupavam a escadaria que conduzia ao apartamento de Maricarmen, enquanto os vizinhos distribuíam snacks e deixavam os ativistas usar as suas casas de banho.
Num vídeo gravado pelo sindicato local de inquilinos antes do despejo, Maricarmen, em lágrimas, disse: "Bom dia a todos, agradeço a ação que estão a realizar, passando a noite toda a dormir na rua. Por favor, continuem, mas não se magoem. Isto tem de ser pacífico. Um abraço a todos e a todas as pessoas que me apoiam nesta luta cruel contra alguém que quer ganhar dinheiro, mas que não se deve esquecer que tem pais e que um dia poderá encontrar-se na situação em que, infelizmente, me encontro."
Mais de 200 agentes da polícia foram chamados e durante mais de sete horas tentaram entrar no ediíficio. A situação ficou cada vez mais tensa. A polícia disparou gás lacrimogéneo e fez repetidas investidas com bastões enquanto tentava abrir caminho para que uma comissão judicial cumprisse a ordem de despejo, que acabou por ser executada às 13:00 (12:00 em Lisboa).
A idosa saiu para a rua numa maca, tendo sido transportada para o hospital Gregorio Marañón para uma avaliação do seu estado de saúde.
Os agentes, que, segundo a Delegação do Governo, agiam em cumprimento das ordens do tribunal, conseguiram abrir a porta de entrada do edifício e começaram a retirar os ativistas que se encontravam no interior, depois de terem retirado aqueles que permaneciam sentados na rua, em frente à entrada do prédio.
A intervenção judicial põe fim a um litígio que teve início em 2018, quando o edifício onde se situa o apartamento - originalmente regido por um contrato de "renda antiga" - foi vendido a uma imobiliária.
O contrato original do apartamento, de 1956, estava em nome do pai de Maricarmen. Quando faleceu, o apartamento passou para a sua esposa e, após a morte desta, em 2008, foi arrendado a Maricarmen.
Primeiro, os novos proprietários ofereceram a Maricarmen possibilidade de comprar o seu apartamento por 247 mil euros.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.