Investigadores medem biodiversidade na zona entremarés da Madeira
Agachados sobre as rochas, os investigadores da expedição Madeira Ocean para a zona entremarés fazem um levantamento de toda a biodiversidade existente.
No final, esperam conseguir comparar áreas marinhas protegidas e não protegidas.
"O que estamos a fazer aqui é uma monitorização, um levantamento de toda a diversidade.
O interesse não é só saber qual é o número de espécies, nós queremos saber de que forma é que elas estão distribuídas e, depois, podemos comparar entre áreas marinhas protegidas e áreas que não são protegidas", explicou o investigador João Faria à agência Lusa.
Esta recolha de dados permite depois fazer um conjunto de comparações com anos anteriores e futuros, possibilitando também tirar conclusões acerca da pressão humana e dos efeitos das alterações climáticas na distribuição das espécies.
"A pressão humana aqui na Madeira faz-se, no nível intertidal, sobretudo ao nível da exploração de lapas.
E, de facto, vê-se que aqui há uma tendência para haver uma menor densidade de lapas na orla costeira, comparando, por exemplo, com as Desertas", realçou o investigador do polo dos Açores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio-InBio).
A Lusa acompanhou um dos trabalhos de campo efetuados pela equipa do intertidal (zona entremarés), na zona do Caniçal, no extremo leste da ilha, no âmbito da expedição científica Madeira Ocean 2026, que decorre durante todo o mês de outubro nas ilhas da Madeira, Porto Santo e Desertas.
A cerca de uma hora da maré vazia, a equipa liderada por João Faria começou o trabalho, que viria a durar cerca de duas horas.
Através de foto quadrados colocados aleatoriamente sobre as rochas, os investigadores fazem a análise do número de espécies encontradas em cada um dos 25 quadrados e do local onde elas estão, através de um GPS de alta precisão.
Questionado se o trabalho efetuado poderá vir a resultar em decisões políticas, João Faria disse esperar que sim.
No que diz respeito às lapas, uma espécie muito consumida na região e que tem sido alvo de medidas mais restritivas nos últimos anos, poderão, por exemplo, ser alargados os períodos de defeso e aumentados os limites mínimos de tamanho de captura, referiu.
"Esperamos que [a informação recolhida] seja usada exatamente nesse sentido, naquilo que é a gestão das áreas marinhas protegidas", apontou.
Nas Ilhas Desertas, por onde a expedição passou antes de rumar ao sul da Madeira, os investigadores puderam observar o impacto das zonas protegidas na biodiversidade.
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