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Clínica de fertilidade em Cascais abre falência. Pacientes em desespero

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Clínica de fertilidade em Cascais abre falência. Pacientes em desespero

Quando a 26 de abril a galesa Rachel Drasey e o marido, Anthony Jones, pagaram 9500 euros à Clínica de Fertilidade Ovom Care, sediada em Cascais, por um pacote de “múltiplos ciclos de tratamento, com a garantia de que, se não obtivéssemos uma gravidez bem-sucedida ao final dos três ciclos, receberíamos 75% do valor de volta”, estavam muito longe de imaginar que, dias antes da data aprazada para Rachel receber o único embrião viável que resultou do primeiro ciclo de tratamentos, receberiam, de chofre e numa sexta-feira à tarde, a notícia de que a clínica tinha falido.

É no dia seguinte, sábado — este sábado — que Rachel fala com o DN, dando conta do seu imenso desalento.

“O nosso embrião está na clínica e não fazemos ideia de quais os passos a seguir.

Também pagámos um valor extra pelo pacote de múltiplos ciclos [ou seja, de múltiplas colheitas de óvulos, fecundação, análises e implantação], algo que, obviamente, não vamos poder usar.

Estamos a tentar perceber que opções temos.” Rachel, de 38 anos, agente policial, tinha sofrido já três abortos espontâneos ao longo de um ano, sem causa identificada, quando decidiu optar pela procriação medicamente assistida (PMA), para tentar, através de análise prévia dos embriões, reduzir o risco de outro aborto.

Fez colheita de óvulos em maio na Ovom Care e a implantação do embrião viável foi marcada para julho — porém a clínica adiou alegando que era preciso deitar uma parede abaixo e ia fechar nessa altura.

Em agosto houve novo adiamento porque o endométrio (revestimento do útero) de Rachel não estava a engrossar como devia, e por fim o procedimento foi marcado para setembro.

Esta sexta à tarde, porém, tudo ruiu.

Quando fala com o DN, Rachel nem sequer sabe quando e como poderá ter acesso ao seu embrião, ou como poderá proceder à implantação, já que terá de o fazer noutra clínica, e pagando — de novo — pelo procedimento.

No grupo de mulheres com quem o DN falou, na sua maioria britânicas — explicam que os preços em Portugal são bastante mais baixos que no seu país, onde este tipo de tratamento custar à volta do triplo, e que mesmo com viagens e estada sai mais barato fazê-lo no estrangeiro — o sentimento é um misto de desespero e revolta.

A maioria chegou à Ovom Care através do respetivo Instagram, onde se garante que o laboratório funciona com “a tecnologia mais avançada da Europa” e se lê: “E se só pagasse o preço total pela fertilização in vitro se funcionar?” Outro factor relevante para várias das mulheres que escolheram a Ovom Care é, além dos preços e da certificação do uso de Inteligência Artificial no processo, tratar-se de uma empresa fundada e dirigida por mulheres.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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