Mário Mourão defende que aumento dos salários e pensões “não pode esperar” e critica OE “de mínimos”
O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, defendeu hoje um aumento dos salários e das pensões para fazer face ao aumento do custo de vida e avisou que nada “se resolve com um Orçamento do Estado de mínimos”.
“Não podemos aceitar que trabalhar continue a ser sinónimo de viver com dificuldades”, disse Mário Mourão na sessão de encerramento do 15.º Congresso da UGT, onde foi reconduzido para mais um mandato na liderança da central sindical.
Defendendo a “dignidade dos salários e das pensões”, o secretário-geral da UGT lembrou os acordos assinados em Concertação Social e desafiou Governo e parceiros sociais a “ir mais longe”, instando a um reforço da meta prevista para o salário mínimo nacional, mas também políticas que impulsionem o salário médio.
“O aumento do poder de compra não pode esperar.
O reforço do salário mínimo não pode esperar.
A dignidade dos salários e das pensões não pode esperar. [E] isto não se resolve com um Orçamento do Estado de mínimos”, referiu o sindicalista, criticando ainda a atribuição do suplemento extraordinário aos pensionistas, que “nada mais” faz “do que perpetuar a pobreza do mês seguinte”.
Numa mensagem dirigida ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, Mário Mourão reiterou a disponibilidade da central sindical “para dialogar, negociar e construir soluções”.
Mas deixou o aviso: “saiba também que a nossa responsabilidade é para com os trabalhadores”, pelo que “quando os interesses dos trabalhadores estiverem em causa estaremos cá para dizer não”.
Apelando a um diálogo social “com respeito”, Mourão pediu que se deixe “de lado as obsessões e as bandeiras ideológicas” e que Governo e parceiros sociais se concentrem” naquilo que realmente importa: responder aos desafios do país, da inflação, da habitação e às imigrações, promovendo o crescimento económico e a justiça social”.
Numa referência à legislação laboral, o socialista sublinhou que a UGT “também alinha na necessidade de uma legislação mais moderna”, que responda “aos anseios e necessidades” dos trabalhadores e que contribua para uma “melhor conciliação” entre a vida pessoal, familiar e profissional.
O líder da UGT comprometeu-se ainda a se bater pelo reforço da contratação coletiva, pela defesa da “redução progressiva da jornada de trabalho para as 35 horas”, pela implementação da semana de quatro dias e pelo “direito efetivo à desconexão” Mário Mourão avisou ainda que a UGT “não aceita uma Segurança Social que passe a ser de mínimos só para alguns ou que seja transformada num negócio privado”.
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