O clima também é um assunto do Ministério das Finanças
Em maio de 2026, o Fundo Monetário Internacional publicou um relatório que analisa como Portugal incorpora o clima na gestão dos investimentos públicos – o chamado relatório C-PIMA ( Climate Public Investment Management Assessment ).
A mensagem é clara: apesar dos progressos realizados, Portugal precisa de integrar de forma muito mais sistemática as alterações climáticas nas suas decisões de investimento e na gestão das finanças públicas.
As recomendações do FMI são bem concretas, afirmando que Portugal deveria: introduzir climate screening e a avaliação do impacto climático na análise dos projetos de investimento público; incorporar climate budget tagging no processo orçamental; incluir avaliações de risco climático nos planos de manutenção das infraestruturas; estudar mecanismos ex ante de financiamento do risco de catástrofe, incluindo seguros; e desenvolver uma estratégia abrangente de financiamento desse risco.
Recomenda ainda o reforço da capacidade da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) para avaliar os riscos climáticos por região e por tipo de infraestrutura, utilizando essa informação para priorizar investimentos preventivos.
E coloca sobre a mesa uma proposta institucional particularmente relevante: considerar a criação de uma Unidade de Financiamento Climático no Ministério das Finanças.
Estas recomendações podem parecer muito técnicas, mas apenas reconhecem que o risco climático é também risco orçamental, e por isso precisa de ser gerido.
A pergunta deixa, portanto, de ser apenas quanto gastamos em políticas climáticas.
Passa a ser uma pergunta muito mais exigente: de que forma o risco climático está incorporado na maneira como o Estado planeia, orçamenta, investe, mantém os seus ativos e gere os seus riscos financeiros? No entanto, ainda continuamos demasiado concentrados numa lógica financeira ex post : ocorre a catástrofe, contabilizam-se os prejuízos, mobilizam-se apoios, reparam-se infraestruturas e procura-se financiamento.
O que o FMI está a propor é uma evolução para uma lógica ex ante : conhecer a exposição, quantificar o risco, incorporá-lo na seleção e desenho dos investimentos, adaptar as infraestruturas e preparar previamente os instrumentos financeiros necessários para absorver o risco que não pode ser evitado.
Esta mudança é muito mais do que política climática.
É boa gestão das finanças públicas.
E talvez devêssemos começar por colocar uma questão desconfortável: quanto risco climático está hoje escondido nas contas públicas portuguesas? Sabemos quanto o Estado prevê gastar em ambiente ou proteção civil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.