Vaga de calor destroi as flores dos famosos Jardins de Monet
As recentes vagas de calor na Europa têm tido diversas repercussões um pouco por todo o lado.
Os incêndios florestais são a face mais visível, mas o calor também levou ao encerramento de museus, nomeadamente em França.
Os famosos jardins de Claude Monet, em Giverny, na Normandia, não escaparam ao impacto do calor tórrido, que queimou milhares de capuchinhas, descendentes diretas das flores plantadas pelo artista, nome maior do impressionismo, há mais de cem anos.
Alinhadas ao longo do caminho central dos jardins, eram as suas flores preferidas.
Ao ponto de terem inspirado obras como “Capuchinhas num Vaso Azul” e “Vaso de Capuchinhas”, de 1879.
A paleta de cores, quando desabrochavam, ia do vermelho e laranja ao amarelo.
Agora, o que se pode ver é um jardim dizimado, como explicou Rémi Lecoutre, jardineiro-chefe adjunto da Casa e Jardins de Claude Monet, na visita guiada que fez à France 24.
“É incrivelmente triste”, disse Lecoutre, que trabalha nos jardins há quase quatro décadas, à estação televisiva francesa.
“É a primeira vez que isto acontece a esta escala.
É terrível.” Os jardins, situados nas traseiras da residência onde Monet viveu de 1883 a 1926, acolhem o famoso lago sobre o qual passa uma ponte de inspiração japonesa, retratada nas icónicas pinturas de Nenúfares do artista.
Segundo Lecoutre, a equipa responsável pela manutenção dos jardins utilizaram mini-aspersores e irrigação subterrânea para tentar mitigar os danos nas flores.
Destacou ainda a diversidade de espécies cuidadosamente escolhidas por Monet, mas reconheceu que talvez seja necessário substituir certos tipos de plantas por outras à medida que as temperaturas continuam a subir.
“Já estamos a planear as nossas futuras plantações, selecionando espécies que serão mais resistentes às alterações climáticas”, salientou, referindo que os famosos nenúfares, pelo menos, prosperam num clima seco.
“Em última análise, não somos um jardim-museu, mas sim um espaço que evolui com o tempo.” E que terá de adaptar-se à nova realidade climática.
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