Morreu Ratko Mladic, o "carniceiro da Bósnia" condenado por genocídio
Ratko Mladic, o comandante militar dos sérvios da Bósnia durante a guerra de 1992-1995, morreu esta quinta-feira (27 de agosto) no hospital do centro de detenção das Nações Unidas em Haia, onde cumpria pena.
Tinha 84 anos.
O "carniceiro da Bósnia", como era conhecido pelas atrocidades cometidas durante a guerra em que morreram cerca de 100 mil pessoas, tinha sido condenado a prisão perpétua por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
A notícia foi avançada por meios de comunicação sérvios e confirmada por um responsável das Nações Unidas à agência Reuters.
Enquanto comandante do Exército da República Srpska, liderou as forças sérvio-bósnias entre 1992 e 1995, período em que ocorreu o cerco de Sarajevo e o massacre de Srebrenica, considerado o pior crime cometido em solo europeu desde a II Guerra Mundial.
Nascido em 1942 na atual Bósnia-Herzegovina, então parte da Jugoslávia, Mladic esteve no Exército Popular Jugoslavo antes de assumir o comando das forças sérvias da Bósnia no início da guerra.
Em julho de 1995, as tropas sob o seu comando tomaram o enclave muçulmano de Srebrenica, então protegido pela ONU.
Nos dias seguintes, mais de oito mil homens e rapazes bósnios muçulmanos foram assassinados, num crime que os tribunais internacionais classificaram como genocídio.
O Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia acusou-o formalmente em 1995, mas Mladic conseguiu permanecer em fuga durante quase 16 anos.
Foi detido em maio de 2011 numa aldeia do norte da Sérvia .
Julgado em Haia, foi condenado em 2017 por genocídio, perseguição, extermínio, assassinato, deportação, terror contra a população civil de Sarajevo e tomada de reféns entre os capacetes-azuis da ONU.
Em junho de 2021, um tribunal de recurso confirmou a pena de prisão perpétua.
Mladic tinha vários problemas de saúde devido a problemas cardíacos e tinha sofrido múltiplos acidentes vasculares cerebrais.
As autoridades sérvias e a sua defesa tinham tentado, em várias ocasiões, pedir a sua libertação por motivos humanitários e transferência para a Sérvia.
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