A cada um o seu estoicismo
Marcello Duarte Mathias é um dos nossos mais lúcidos ensaístas, com uma obra rica e multifacetada.
Diplomata experimentado, sereno analista da sociedade e da cena internacional é alguém que acompanha com especial atenção a evolução do tempo à luz do pensamento e da relação complexa entre a história e o saber.
Leitor atento e atualizado é sempre o mais avisado conselheiro sobre os melhores livros e os autores mais oportunos e necessários.
Li com o gosto e o proveito costumeiros o seu último livro, que aconselho vivamente, – Intervalo – Diário 2024-2025 seguido de A Memória dos Outros III – Ensaios e Crónicas (D.
Quixote).
No fundo, compreendemos bem que para o autor “escrever é saber-me vivo, sentir-me vivo, continuar vivo”.
E é bom, para os seus amigos, ouvir as suas reflexões e usufruir da sua inesgotável qualidade de advertir.
Em cada palavra, em cada forma de compreender o tempo, em cada verificação dos limites que nos constrangem, deparamo-nos com a qualidade de caminhar, percebendo que para frente é o caminho.
E sentimos na sua experiência pessoal a sensibilidade para encarar a essência do drama humano a partir de quem é próximo e cuja presença é sempre enriquecedora, mesmo quando a luz se enfraquece.
Na reflexão determinada, o analista afirma, no domínio da coisa pública, que “importa saber hierarquizar prioridades e governar com sentido da continuidade histórica – daí o primado da política sobre as restantes valências – sabendo que a História é trágica, especialmente para os países mentalmente desarmados, como é hoje em boa medida o nosso caso, sendo esta talvez a nossa primeira vulnerabilidade de entre outras a que estamos sujeitos.
E, do mesmo passo, não enganar ou iludir os portugueses, povo adulto perfeitamente apto a enfrentar a verdade dos factos, pois tudo leva a crer que os tempos que aí vêm não são de bonança”.
Num momento dado à amnésia histórica, é fundamental estar de sobreaviso e cuidar de pensar.
A propósito da reedição da biografia de Fernando Pessoa por João Gaspar Simões, encontramos o paralelo entre as duas gerações mais influentes dos últimos séculos e compreendemos a vitalidade das ideias, como modo de nos acordarem de um sono multissecular.
“Decerto ambos os movimentos assumem o gosto do desafio que é sobretudo vontade de emancipação, porquanto têm como ponto de partida uma demanda de identidade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.