"Verdadeira moção de censura foi o reaparecimento de Passos: Faz mossa"
O eurodeputado João Cotrim de Figueiredo considerou, este domingo, que atualmente se vive "um ponto de viragem", apelando a que os responsáveis políticos "virem a página", com olhos no futuro. Quanto ao 'teste' feito ao Governo esta semana , disse: "A verdadeira moção de censura que houve esta semana em Portugal foi o reaparecimento de [Pedro] Passos Coelho".
"Há um ponto de viragem na política nacional porque terça-feira ficou-se a saber - se dúvidas houvesse - que este Governo não vai reformar. Porque, perante uma moção de censura que ganhou folgadamente, sem qualquer problema, em vez de dizer aquilo que ia fazer para o resto da legislatura e tratar daquilo que são os problemas de fundo, estruturais, reformar o país - não", apontou no "Visto Assim", o seu espaço de comentário semanal emitido na SIC Notícias.
E depois, o antigo presidente da Iniciativa Liberal (IL), afirmou: "Resolveu ter uma atitude eleitoralista. Baixar o IRS, mais uma vez, a meio do ano, que é uma coisa que só este Governo de Montenegro é que faz".
"Não há absolutamente necessidade nenhuma de o fazer e fazer mais um bónus aos pensionistas. E o resto do tempo da moção de censura esteve a tentar defender o ministro [da Administra Interna], que é indefensável", acrescentou.
"A verdadeira moção de censura que houve esta semana em Portugal foi o reaparecimento de Passos Coelho, porque esse sim faz mossa e obriga o primeiro-ministro a reagir e a dizer coisas - que não se anda a lamentar, que não há tristezas" , elencou.
O liberal referia-se às sugestões de reformas e aviso deixado pelo antigo primeiro-ministro ao atual chefe de Governo. Em causa está um artigo do Expresso no qual é dado conta de que o estudo sobre os bloqueios da economia coordenado por Passos chegará às mãos do Governo - e do Presidente da República, António José Seguro - até ao final do ano.
Entre outras considerações feitas em relação à urgência nas reformas para o país, Passos Coelho aconselha Luís Montenegro a não perder tempo com medo de "hipotecar apoios". Passos faz também considerações em relação a estas matérias no prefácio do novo livro de Pedro Gomes Sanches, "Portugal na Paz dos Bloqueios", e refere que o tempo, "que tem vindo a ser esticado em razão da fragilidade eleitoral dos governos e do seu escasso apoio parlamentar, está a esgotar-se.
"Estou para ver o que lá está - e com expetativa positiva. Mas, anunciá-lo com dez semanas de [antecipação]...", disse, destacando também que a coordenação do estudo acontece em parceria com o socialista Sérgio Sousa Pinto e com o presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho.
"Vamos estar mais ou menos dois meses e meio à espera do documento" , sublinhou, acrescentando: "Se Passos Coelho volta agora, por algum motivo é. Já não deve ser pelas mesmas condições de março e abril. Portanto, alguma coisa deve estar a mudar nos calendários políticos do próprio Passos Coelho. E, se calhar, do país [...]. Este reaparecimento dá-me ideia de que já não é preciso irem chamá-lo.
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