Incêndios em Portugal: El Niño, "pressão" e "ingredientes para desastre"
F alta pouco mais de um mês para o término do verão, mas as altas temperaturas que se fazem sentir (mesmo que sejam foram da estação de verão) não devem dar descanso à prevenção. Num 'intervalo' - dado que os próximos dias podem ser de chuva e vento - a Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza) não deixa esquecer que o perigo de incêndio continua a existir.
Em comunicado enviado ao Notícias ao Minuto , a associação aponta que "os incêndios florestais continuam a figurar entre os maiores e mais dramáticos problemas ambientais, sociais e políticos de Portugal".
Sublinhando que milhares de hectares são "reduzidos a cinzas, perpetuando uma tragédia recorrente que alterna entre anos maus e catastróficos" , a Quercus considera: "Com o agravamento da crise climática, os cenários extremos são agora a norma".
A associação aponta ainda que neste âmbito, "em 2026, a manifestação do fenómeno El Niño - com alertas expressos da Organização Meteorológica Mundial para secas severas, precipitação extrema e vagas de calor sufocantes - veio adicionar uma pressão devastadora sobre o território português".
"Os grandes incêndios já registados este ano, como o de Vouzela, em julho (responsável por metade da área ardida nacional até ao momento), são o sintoma visível de um país vulnerável e desarmado", acrescentam.
Na nota enviada pela Quercus é também referido que o eucalipto, cuja monocultura pode ser mesmo o "principal ingrediente para o desastre".
"A perda de resiliência do nosso território não é um acidente natural. É o resultado direto de décadas de políticas florestais erradas, da desregulação promovida por sucessivos governos e do domínio sufocante do lobby da indústria de pasta de papel, papel e biomassa lenhosa, incluindo vastos subsídios públicos e mecanismos de apoio direcionados para o setor", considera a associação, referindo que a "proliferação descontrolada das monoculturas de eucalipto transforma a paisagem num autêntico pavio, permitindo que os incêndios se propaguem com velocidade e violência incalculáveis".
A Quercus alerta para a combustibilidade extrema e também para a realidade de que estas explorações exercem "uma pressão insustentável sobre os recursos hídricos, secando os solos e agravando o impacto das secas severas, cujas ocorrências, com maior frequência, são agravadas pelas alterações climáticas". "A cobertura de eucaliptais pelo país tem-se intensificado no país ao longo dos anos, com destaque para as regiões Centro e Norte ", detalham.
No comunicado são ainda deixadas algumas medidas, elaboradas pela associação em conjunto com a rede Environmental Paper Network. Veja abaixo:
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.