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Transformação como permanente reinício

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Transformação como permanente reinício

A narrativa pública em Portugal é pródiga em transformações.

Nos discursos e comentários políticos, artigos de opinião, programas partidários, planos de desenvolvimento e tutti quanti , a palavra “transformação” assoma fatalmente, só rivalizando com outras buzzwords do momento, como “desafios”, “oportunidades” e “estratégias”.

O espaço público está enxameado de ideias, projetos, promessas, vontades e aspirações de transformação, circunstância que acabou por vulgarizar ou mesmo abastardar o conceito que lhe é subjacente.

Todo este afã transformador decorre, muito provavelmente, da vertigem da vida moderna.

As novas tecnologias sucedem-se a um ritmo diabólico, com tudo o que isso tem de disruptor nos vários setores da sociedade.

A aceleração do tempo leva a confundir mudança com transformação, quando o que está em causa muito mais do que isso.

Não se trata simplesmente de mudar, mas sim de reiniciar um processo e a partir daí criar algo verdadeiramente novo.

A transformação é, na verdade, um permanente reinício e, como tal, não resulta da acumulação contínua de avanços económicos, sociais, tecnológicos ou outros.

Transformar define-se, no fundo, como a capacidade de interromper as lógicas estabelecidas e de recomeçar a partir de novas possibilidades.

Esta premissa vem entroncar na crítica de Slavoj Žižek à noção linear e triunfalista de progresso que domina a atualidade.

Para o filósofo esloveno, a História não avança inevitavelmente para estádios superiores de organização social e, neste sentido, o progresso não é uma marcha contínua em direção a um futuro melhor.

Apesar de todo o desenvolvimento da humanidade, persistem problemas, contradições, desigualdades e impasses nas sociedades modernas que ensombram o devir histórico.

Não acompanho as críticas estruturais de Žižek ao capitalismo, que, embora não seja um sistema perfeito, é o que mais oportunidades cria de desenvolvimento económico e justiça social.

Mas concordo com o autor quando este defende que a simples acumulação de inovações, designadamente tecnológicas, não significa necessariamente que estejamos a avançar enquanto sociedade.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.

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