Organização de Xangai conclui cimeira com críticas a ataques ao Irão e pedidos de multipolaridade
Enquanto nos EUA os G20 reuniam com a presença incómoda do ministro das Finanças russo, a capital do Quirguistão, Bishkek, viu os países da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) assinar uma série de declarações a condenar as ações dos rivais ocidentais no Médio Oriente e a garantirem um aprofundamento das ligações económicas e energéticas, isto apesar de alguma tensão entre países com interesses distintos e alianças precárias no seio da instituição.
A cimeira de dois dias acabou nesta terça-feira com uma declaração conjunta dos dez Estados-membros do bloco que representa 43% da população mundial e pretende sinalizar uma alternativa à hegemonia ocidental.
A Declaração de Bishkek fala num mundo multipolar e pede reformas à forma global de governar que permitam uma maior representatividade das nações, além de garantir que a organização irá continuar a aprofundar relações económicas e securitárias, incluindo na energia.
Perante os conflitos na Ucrânia, em que a Rússia se vê envolvida há quatro anos e meio numa invasão custosa a vários níveis, e no Irão, em que Teerão e Washington continuam sem fim à vista para as hostilidades que têm feito disparar o preço do petróleo e inúmeras outras matérias-primas, o foco do encontro esteve precisamente nas perturbações globais que têm resultado daqui.
Na declaração, os líderes dos países que compõem a OCX reforçam que continuarão a trabalhar para implementarem a Estratégia de Desenvolvimento Económico da instituição até 2030, aprofundando a cooperação económica e financeira.
Isto inclui também a Estratégia de Cooperação Energética, sobretudo dada a disrupção atual nos mercados energéticos.
A OCX condenou os ataques norte-americanos no Irão, que “violam os princípios e normas da lei internacional”, reforçando o compromisso com “a soberania e integridade territorial da República Islâmica do Irão”, bem como as ações de Israel na região.
No entanto, num momento inesperado, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi dirigiu-se diretamente a Vladimir Putin pedindo que acabasse com a guerra na Ucrânia.
“Temos de passar de uma guerra infinita para o fim da guerra, para o fim das hostilidades”, afirmou.
Rivalidades internas Apesar da declaração unida, esta troca expôs algumas das tensões internas na organização, que reúne rivais como a Índia e China ou indianos e paquistaneses.
Ainda assim, o presidente chinês Xi Jinping exortou o papel da OCX como plataforma internacional em termos de segurança e economia global, propondo um plano de quatro pontos para avançar com a implementação da Nova Rota da Seda na região.
Segundo a agência estatal chinesa, Xi pediu à organização que se concentrasse nas questões de segurança primeiro, de forma a fomentar mais investimento e desenvolvimento económico.
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