O americano que estuda o clima de séculos passados nos diários de bordo da Marinha Portuguesa
Timothy Walker tem passado longas horas no Arquivo Histórico da Marinha, no edifício da antiga Fábrica Nacional de Cordoaria, em Lisboa, a ler diários de bordo de séculos passados.
Para o historiador americano, que há mais de três décadas estuda vários aspetos e épocas da história portuguesa, da Inquisição ao PREC, esta é uma investigação um pouco diferente.
Ouçamos a sua explicação do que anda a fazer no meio de tantos volumes encadernados, alguns mais antigos do que a Declaração de Independência americana: “desde o outono de 2023, um grupo de historiadores marítimos, oceanógrafos e cientistas climáticos com sede em Portugal e nos Estados Unidos uniu-se para extrair dados meteorológicos dos diários de bordo dos navios da Marinha Portuguesa, que remontam a mais de 250 anos (décadas de 1760 a 1960).
Estes dados ajudam a compreender os padrões climáticos ao longo dos séculos, o que é útil para a navegação oceânica moderna, a agricultura, o comércio, o planeamento da cadeia de abastecimento, a gestão costeira e a resiliência, bem como a defesa nacional.
Identificámos cerca de 2200 diários de bordo da Marinha Portuguesa que pretendemos utilizar nesta pesquisa.” Prossegue Walker: “Os navios da Marinha Portuguesa fornecem dados de locais onde os baleeiros e navios de outras nações (franceses, holandeses, espanhóis, britânicos) não costumavam ir.
Em particular, os registos meteorológicos durante a Era da Vela, fora das relativamente movimentadas rotas marítimas temperadas do Atlântico Norte, são escassos.
Assim sendo, os registos da Marinha Portuguesa, com extensas viagens no Atlântico subtropical e equatorial, viagens no Atlântico Sul e em direção a sítios coloniais portugueses no Índico e no Mar da China Meridional, são de enorme valor para a compreensão dos padrões climáticos e de vento marítimos do passado, antes da ampla disponibilidade de dados instrumentais.” O amor ao mar, e à navegação à vela, pesou na escolha deste pesquisa do professor da UMass Dartmouth.
“Trabalhei como tripulante e professor a bordo de veleiros históricos durante o meu mestrado, incluindo a caravela Boa Esperança em Lisboa e a escuna Ernestina-Morrissey em New Bedford.
Um amigo velejador em Massachusetts estava a concluir um doutoramento em estudos do clima oceânico; discutimos como poderíamos realizar um projeto em conjunto, utilizando as nossas competências complementares de diferentes disciplinas académicas.
Pensámos registar dados meteorológicos extraídos de antigos diários de bordo de baleeiros.
Os historiadores extraem a informação sobre o vento e o clima, passam esses dados aos cientistas do clima, que os utilizam para a modelação climática.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.