A mentira que contamos ao espelho em setembro
Tenho um amigo que corre a Maratona de Lisboa há 11 anos.
E diz-nos a mesma coisa no fim das férias de verão: “Este ano não sei se me apetece.” Chegamos a setembro e lá está ele a correr ao fim do dia, como quem sabe que aquilo é um escape de que precisa.
Não é estupidez, mas sim a forma como setembro nos convence de que somos quem éramos antes das férias, só que com mais vontade.
É uma espécie de resolução de início de ano.
Mas e para as pessoas que não treinam há meses/anos? É uma mentira coletiva! E setembro complica-a de propósito: devolve-nos ao ginásio no mesmo dia em que nos devolve à secretária.
É a única época do ano em que se pede ao corpo e à agenda a mesma coisa: recomeçar tudo de uma vez! E, por isso, é também a época em que mais se ouve a desculpa favorita de quem falha: “Não tenho tempo.” Raramente é mentira.
É só uma verdade mal intencionada: o tempo que falta não desapareceu no verão, foi o trabalho que voltou a ocupá-lo primeiro, com hora marcada, com matérias por decidir, enquanto o treino continua a ser a única coisa da vida que ninguém agenda a sério.
Deixa-se a saúde para o fim das prioridades, como se fosse algo que pode esperar ou que está sempre garantido.
É aqui que a maioria desiste antes de começar.
Não por falta de vontade, mas por tentar encaixar um plano de verão numa semana de setembro ou outubro, com reuniões a ocupar exatamente as horas em que antes havia praia.
O erro não é ter menos tempo.
É continuar a exigir do corpo o que ele pedia quando havia tempo a mais.
A solução não tem nada de sedutor: fazer menos do que se quer, no espaço que sobra, em vez de esperar por um timing que já não vai voltar.
Vinte minutos certos valem mais do que a hora perfeita que só existe no calendário de agosto.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.