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O político transparente

Diário de Notícias ·

Foram-se multiplicando as medidas burocráticas para assegurar a transparência nos serviços públicos, mas nunca como agora se falou tanto em aumento da corrupção.

Se esse aumento é verdadeiro, então é porque a burocracia falhou ou ela mesma se tornou geradora de mais corrupção.

É esse o caso.

O caminho para a transparência é o de simplificar regras e diminuir o trânsito burocrático e não aumentá-lo.

Uma burocracia justa favorece a transparência; uma burocracia excessiva gera complexidade e a forma de a tornear é através da corrupção.

Esta matéria lembrou-me o filme de ficção, o Homem Transparente , em que um grupo de cientistas descobriu a fórmula de alguém se tornar invisível, tendo o chefe do grupo sido a cobaia da experiência.

Veio a ser um problema para a equipa, pelos comportamentos que tal estado lhe facultava e pela dificuldade de trazê-lo de volta à natureza inicial.

Também a opacidade de uma burocracia abusiva obstaculiza a transparência, e contrariar a ordem burocrática instalada só traz ónus pessoais e políticos.

Paralelamente, o conteúdo burocrático das sucessivas declarações a que são obrigados os dirigentes políticos (Declaração Única de Rendimentos, Património, Interesses, Incompatibilidades e Impedimentos a entregar na Comissão para a Transparência ou o Inquérito de 36 perguntas destinadas a avaliar a situação fiscal, judicial, patrimonial e conflitos de interesse de novos ministros), em vez de afirmar o prestígio da função, mais não faz do que tratar os nomeados ou eleitos com desconfiança.

Pior, a divulgação pública dessas Declarações constitui um tremendo ónus ao recrutamento de melhores quadros políticos e acentua o afastamento de muitos que, probos e competentes, não querem ver difundida e devassada toda a sua vida privada, profissional e familiar em publicações avulsas e julgamentos populares.

A função da Comissão da Transparência é ser apenas um veículo para os media ? Tal como dizia um notável Bispo de Viseu, D.

António Alves Martins, que “a religião deve ser como o sal na comida, nem muito, nem pouco, só o preciso”, também a burocracia deve ser quanto baste para assegurar uma sã transparência.

Em alternativa, restarão para a política os bacteriologicamente puros burocraticamente certificados, talvez os mais facilmente infetáveis quando chamados ao mundo das decisões.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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