Filho do líder do Uganda diz que se vai candidatar à presidência em 2031
"Vou candidatar-me ao cargo mais alto do país em 2031. E venceremos pela graça de Deus Todo-Poderoso", declarou Kainerugaba, numa publicação nas redes sociais.
O filho de Museveni afirmou que o líder, de 81 anos, será o seu "gestor de campanha".
"Com o apoio do meu grande pai, Mzee [alcunha pela qual Yoweri Museveni é conhecido], conseguirei 90% dos votos nas eleições de 2031", vaticinou Kainerugaba.
O chefe das Forças Armadas do Uganda já tinha manifestado o desejo de liderar o país, sucedendo ao pai, no poder desde 1986, e que em maio tomou posse para um sétimo mandato de cinco anos, após vencer as eleições de 15 de janeiro que a oposição classificou de fraudulenta.
Museveni obteve nas eleições 71,65% dos votos, no meio de acusações de fraude por parte do principal rival, o músico e opositor Bobi Wine, de 44 anos, que ficou em segundo lugar, com 24,72% dos votos.
O líder da oposição, cujo nome real é Robert Kyagulanyi Ssentamu, fugiu do país após o escrutínio, alegando temer pela vida, depois de o exército e a polícia terem assaltado a sua casa em Kampala.
A jornada eleitoral foi marcada por atrasos devido a problemas técnicos e ao bloqueio temporário da `internet`, após meses de interrupções dos comícios de Wine mediante o uso de gases lacrimogéneos e munições reais, e da detenção de cerca de 550 pessoas, segundo dados das Nações Unidas.
Kainerugaba, chefe das Forças Armadas há dois anos no cargo, tornou-se uma figura controversa, particularmente devido a frequentes publicações na rede social X, onde já ameaçou invadir o Quénia e capturar a cidade de Cartum, no Sudão.
Em junho, o filho do Presidente ordenou que o maior grupo de comunicação social independente do Uganda cessasse as operações. "Não acredito na liberdade de imprensa", escreveu na altura.
Kainerugaba exigiu ainda que a Turquia pagasse mil milhões de dólares ao Uganda e enviasse um comboio com as mulheres mais bonitas do país, assim como declarou o desejo de casar com a primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni e, em diversas ocasiões, com a artista norte-americana Beyoncé.
Museveni chegou ao poder em 1986 depois de liderar uma guerrilha que derrubou o antecessor, Tito Okello, pondo fim a um ciclo de duas décadas de instabilidade política.
O governante alterou a Constituição duas vezes para eliminar limites de idade e de mandato, o que lhe permitiu candidatar-se mais uma vez às eleições.
Museveni, um aliado dos Estados Unidos na segurança regional, é frequentemente creditado por presidir com uma relativa paz e estabilidade. No entanto, há quem o veja cada vez mais autoritário, em desacordo com a promessa inicial de democracia.
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