Por que Trump está desejoso de reatar a amizade com Kim (e que consequências há para Seul e Kiev)?
O presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a colocar a relação pessoal com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, no centro das atenções, depois de ter dito que espera reunir-se ainda este ano com ele.
Mas porquê agora e o que é que isso poderá significar para a Coreia do Sul e, até, para a Ucrânia? "Kim Jong-un sempre me tratou com grande respeito" , lembrou Trump esta semana, acrescentando: "Eu compreendo-o.
Ele compreende-me." E ao longo dos anos, nunca deixou de recordar frequentemente as "lindas cartas" que trocou com o norte-coreano.
O presidente norte-americano parece agora interessado em recuperar a abordagem diplomática que marcou o seu primeiro mandato e que assentava na convicção de que o contacto direto com Kim poderia desbloquear a situação na Península Coreana.
No primeiro mandato de Trump, os dois encontraram-se três vezes: em Singapura (12 de junho de 2018), Hanói (27 e 28 de fevereiro de 2019 , uma cimeira que terminou sem acordo devido a divergências sobre sanções e desnuclearização) e em Panmunjom (30 de junho de 2019) , na zona desmilitarizada na fronteira entre as duas Coreias (que tecnicamente ainda estão em guerra).
Relutância de Pyongyang Mas, apesar do entusiasmo de Washington, os sinais vindos de Pyongyang sugerem uma realidade mais complexa.
Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, reconheceu que a relação entre Kim e Trump continua a ser "excelente", mas advertiu que as políticas "hostis" dos EUA não mudaram.
Acrescentou ainda que qualquer tentativa de Trump de usar a proximidade pessoal para forçar concessões sobre o programa nuclear norte-coreano seria recebida com "escárnio".
A declaração foi interpretada por vários analistas como um sinal de que Pyongyang não exclui um novo contacto entre os dois líderes, embora considere insuficiente a mera relação pessoal para relançar o diálogo diplomático.
Há outros analistas que consideram que o interesse de Trump pela reaproximação vai além de um cálculo estratégico convencional.
Num artigo publicado no início de julho pelo centro de estudos 38 North , especializado na análise da Coreia do Norte, o investigador Kyung Suk Lee sustenta que Trump parece procurar uma nova cimeira "como um fim em si mesmo", vendo o encontro com Kim como uma demonstração da sua capacidade para resolver problemas internacionais através da diplomacia pessoal.
O mesmo autor observa que existe hoje uma situação invulgar: ao contrário do que normalmente acontece, é Washington que parece mais empenhado em promover um novo encontro, enquanto Pyongyang se mostra relutante.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.