Costa alerta para oposição aos cortes no orçamento da União Europeia
António Costa alerta que qualquer plano para reduzir o orçamento da União Europeia para os próximos sete anos corre o risco de esbarrar na oposição dos governos nacionais.
O presidente do Conselho Europeu, que fez um périplo pelas capitais ao longo do último mês para aferir as sensibilidade nestas negociações, diz que há pouca vontade da maioria dos líderes para reduzir verbas específicas do orçamento.
“ É mais fácil dizer ‘quero reduzir o volume global’, mas é muito mais difícil chegar a um consenso para fazer cortes nas diferentes políticas financiadas pelo orçamento ”, disse António Costa em entrevista ao Politico .
“ Todos concordam que podemos reduzir as despesas administrativas [da UE], mas trata-se de um montante muito pequeno [e] isso não resolve o problema”, sublinhou António Costa.
Este tipo de despesa representa 6% do orçamento total.
De acordo com o presidente do Conselho, a maioria dos líderes também quer reduzir verbas específicas do orçamento.
Mas o responsável questiona: “Quem quer cortar na defesa? Ninguém.
Quem quer cortar na competitividade? Ninguém.
Quem quer cortar na agricultura? Ninguém.” Depois de tomar o pulso dos diferentes chefes de Executivo – a visita a Portugal foi no dia 10 de setembro – Costa acredita que a introdução de novos impostos a nível da UE, ou recursos próprios, é fundamental para evitar cortes significativos e manter estáveis as contribuições nacionais para Bruxelas.
É mais provável que novos recursos próprios sejam aprovados se gerarem receitas novas que ainda não sejam cobradas pelos governos nacionais, explicou.
Tweet from @LMontenegro_PT A proposta de imposto da UE sobre o tabaco é um bom exemplo.
Os governos, incluindo o português, têm criticado a ideia porque incide sobre receitas já cobradas pelas capitais.
No entanto, Costa defende a medida, sublinhando que há produtos mais recentes, como os vaporizadores e os cigarros eletrónicos, que não são tributados em muitos países.
Concentrar-se nestes produtos pode gerar “dinheiro novo”, disse.
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