O nosso Estado falha até em assuntos de vida e morte
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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão", sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia. Boa rentrée?
É, tem que ser. É o fim de semana das rentrées. Sim, claro, é evidente. Temos que acompanhar os tempos da política.
Sim, porque como se sabe, o processo de correção de exames deste ano foi uma confusão do princípio ao fim, por causa desta precipitação do ministério no avanço pra digitalização de todas as provas, sem que estivéssemos preparados pra isso. E obviamente deu asneira. Mas há histórias que deviam ser inspiradoras, é como se costuma dizer hoje em dia. Histórias que nos inspiram. E no fim de semana, a Rádio Renascença contou o caso de uma aluna que quer candidatar-se a Medicina, mas a quem perderam quatro páginas do exame de Físico-Química e como as respostas vinham incompletas, ela obteve reapreciação da prova. Depois aconteceu aquilo que sempre acontece com o nosso Estado. Ficou à espera. Nada, resposta nenhuma. Perante o silêncio, esta aluna fez aquilo que todos deviam fazer: queixou-se ao tribunal. Em vez de ficar à espera, queixou-se. E o tribunal fez a única coisa que podia ser feita. Como o Estado perdeu uma parte do exame, o tribunal deu ordens pra que lhe fosse dada a nota máxima nas respostas em falta, pois que remédio. E a sorte do Ministério da Educação é que em Portugal, as pessoas não têm o hábito de resolver as coisas em tribunal, como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, porque se toda gente que foi prejudicada decidisse bater à porta de um juiz, eu acho que Fernando Alexandre tinha um grande problema pra resolver. O problema é que aqui as pessoas deixam passar. Ao contrário desta aluna e da família, muito bem, um grande exemplo, mexeram-se e sempre conseguiram qualquer coisa.
E o tribunal esteve muito bem na rapidez com que tomou uma decisão neste caso.
Não, olha, é o nosso SNS que continua a ser uma fantasia. Nos últimos dias, os tempos de espera dispararam. O caso mais impressionante é o do Hospital do Barreiro. A SIC contou ontem o caso de um doente, um caso urgente, que esperou mais de um dia pra ser atendido. Esperou, acho que 26 horas. Esta pessoa entrou no hospital na manhã, penso que de sábado, se bem percebi, com dor no peito e com dificuldades em respirar. Não estava propriamente só a ter espirros. Dor no peito e dificuldades em respirar, colocaram-lhe uma pulseira amarela, portanto urgente, mas avisaram logo: "Olhe, são 9h30 da manhã, mas o médico só vai chegar às 20h, portanto, já sabe, não vai ser possível ser atendido antes disso. Por isso ponha-se aí confortável, porque vai ter de esperar." Mas esta pessoa que chegou às 9h30 não foi atendida às 20h, quando o médico chegou, claro, havia outros casos. Também não foi atendida às 8h. Só foi vista ao final da manhã seguinte. E houve casos de utentes com pulseira verde que ficaram 48 horas à espera. É o seu fim de semana inteiro, a pessoa pode levar uma cadeirinha de praia e ficar ali à espera.
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