Rasto das bitcoins que desapareceram da PJ chega ao Canadá. Donos exigem-nas de volta: "Não vejo coragem"
Quase oito anos depois de a Polícia Judiciária ter perdido o rasto das bitcoins que desapareceram quando já estavam à sua guarda , o casal a quem pertenciam as criptomoedas acusa agora a investigação de ter desperdiçado tempo e ignorado pistas que estavam à vista desde o início. “Não vejo coragem para levar a investigação por diante”, diz à CNN Portugal o casal, entretanto absolvido das acusações que levaram à apreensão daqueles ativos no valor de mais de 600 mil euros - e que agora estão a aguardar a devolução dos bens. Em entrevista, o casal explica que a investigação dificilmente pode chegar a uma resposta enquanto “os suspeitos óbvios” - aqueles que, diz, “tiveram contacto com a chave privada” dentro da PJ e do Ministério Público - não sejam devidamente escrutinados. “Em 2019, simplesmente esqueceram aquilo, não quiseram saber”, acusa um dos elementos, apontando diretamente para a forma como foi seguido o rasto das moedas. Durante anos, sustenta, as autoridades souberam que as bitcoins tinham chegado a um casino online, mas não pediram à plataforma os dados que poderiam permitir perceber quem estava por detrás da conta que recebeu os fundos. “Eles não contactaram o casino”, insiste, até que, durante uma audiência do julgamento que viria meses mais tarde a terminar na absolvição do casal, em fevereiro de 2025, o desaparecimento das bitcoins voltou a ser levantado pela defesa. Nesse mesmo dia, a PJ retomou o rasto, contactou a plataforma e, quatro dias depois, recebeu uma resposta com novos elementos para a investigação. Uma sequência que, afirma o casal, tornou-se “difícil de ignorar”. “Podia ter avançado em outubro de 2019, se alguém tivesse enviado um email, mas como ninguém quis enviar um email em outubro de 2019, a investigação não foi a lado nenhum”, acusa. “Agora, em fevereiro de 2025, já quiseram enviar um email e então já avançou”.
O caso remonta a outubro de 2018, altura em que a casa do casal em Vila Nova de Gaia foi alvo de uma megaoperação em que a Polícia Judiciária apreendeu computadores, telemóveis e uma carteira de criptomoedas - na altura tida como a maior apreensão de bitcoins da história da justiça portuguesa. “Tínhamos um espírito de colaboração com as autoridades porque não tínhamos nada a esconder”, recorda agora o casal. “Levaram o que quiseram. Computadores, carteiras da minha mulher, televisões, tudo o que quiseram levar”. Para tratar das criptomoedas, foram chamados dois especialistas da unidade de combate ao cibercrime de Lisboa.
Com as credenciais fornecidas pelo casal, os inspetores transferiram 9,72 bitcoins para uma nova carteira criada durante a operação e colocada sob controlo da PJ. O homem lembra-se de ver os dois especialistas a preparar a transferência: “Lembro-me de um estar a ditar o endereço para o outro, que escreveu no meu computador, e fizeram assim a transferência”. A chave privada - o código que permitia movimentar aqueles ativos - ficou depois na esfera das autoridades, passou pelos sistemas da Judiciária e acabou também por ser impressa.
Quatro dias depois da busca, a carteira começou a ser esvaziada enquanto estava na posse da Polícia Judiciária.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.