"Estava enterrado": a história do inédito salvamento de um soldado ferido que esteve 491 dias na linha da frente da Ucrânia
Com quase cinco anos de guerra na Ucrânia, há histórias para todos os gostos e sentimentos, mas uma coisa destas nunca se tinha visto. De todo.
Kostyantyn Vlasenko esteve 491 dias ferido na linha da frente e é, agora, o primeiro soldado a ser resgatado com recurso a um drone aéreo, numa operação que foi gravada e que pode ser vista nas imagens abaixo.
Este soldado da 30.ª Brigada Mecanizada sofreu graves ferimentos em ambas pernas na região de Kharkiv, ficando entregue à sua própria sorte e ao engenho dos colegas, incluindo daqueles que nunca desistiram de o procurar e salvar.
Depois de ver um dos colegas morrer ao lado, acabou por ter de tomar uma decisão difícil: para continuar vivo tinha de amputar as duas pernas. Foi o que fez, sempre em contacto com o comando central, para o qual continuou a realizar missões dentro das suas possibilidades.
Como escreve a página do Exército ucraniano, onde a história está toda contada, “este é o primeiro caso mundial de um soldado a ser retirado da sua posição através de um drone”.
Kostyantyn Vlasenko juntou-se ao Exército de forma voluntária e até começou por ser rejeitado. No entanto, a insistência acabou por dar frutos e, já na linha da frente, deu por si preso num cano improvisado que serviu de abrigo durante todo este tempo.
É aquilo a que os soldados ucranianos chamam de “Veretun”, e que lhe serviu de esconderijo enquanto os seus camaradas tentavam trabalhar para o retirar em segurança, como acabou por acontecer.
Apesar das condições difíceis, a ajuda de quem estava com ele naquele local foi fundamental. No “Veretun”, que supostamente só devia dar para duas pessoas, foram muitos os soldados que encontraram abrigo, inclusive com uma cozinha improvisada.
“Bem, tivemos de construir uma cozinha onde pudéssemos cozinhar. Escavámo-la devidamente, montámo-la, por assim dizer, e tirámos partido das condições”, explica o militar, que esteve um total de 10 meses naquele mesmo cano.
Foi naquele mesmo local que foi obrigado a ver um colega morrer, depois de um drone atingir a zona onde estavam. Escapou por sorte, mas teve de continuar no local, até porque os ataques intensificaram-se depois disso, o que impossibilitou que as tropas de salvamento chegassem ao local.
“Disse-lhes para não me seguirem. Preferia morrer sozinho”, conta, lembrando as conversas com os camaradas que tinha ali perto, mas que ainda assim estavam demasiado longe para alcançá-lo em segurança.
Recordando um dos momentos mais difíceis dos longos meses, lembra-se como foi ele próprio a amputar uma das pernas. “Pu-la num tijolo, peguei numa faca… caíam lágrimas do meu rosto. Tive de cortá-la. Cortei-a”, descreve.
Apesar de tudo, conseguiu manter-se forte, em parte também com um livro de Stephen King.
“A primavera estava fria, e depois aqueceu. Estava a rastejar em direção a um saco de compras. Olhei para baixo para ver o que estava aos meus pés. Eram cerca de 200 borboletas. Eram cor de laranja e pretas. Pareciam saudáveis. Pensei: ‘Meu Deus, as borboletas saíram até dos meus pés’”, ri-se Konstantin ao partilhar as suas memórias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.