Bélgica. Chuva trava avanço do "maior incêndio da história"
A chuva que caiu na manhã desta segunda-feira em Hautes Fagnes, na Bélgica, está a ajudar a travar o incêndio que lavra na região desde sexta-feira. De acordo com o jornal belga Le Soir , que cita as autoridades locais, o fogo já não está a avançar em direção à fronteira alemã .
As primeiras chuvas começaram a cair ao início da manhã e trouxeram alívio às equipas de emergência. “O vento favorável e a chuva ajudam a conter a progressão das chamas”, explicou um dos elementos das operações de socorro. Apesar da melhoria das condições, o incêndio continua ativo em algumas zonas e não está ainda controlado .
O Instituto Real de Meteorologia belga prevê que o vento aumente ao longo do dia, o que poderá dificultar novamente o trabalho dos bombeiros. A chuva deverá também ser insuficiente para extinguir o incêndio, que se propagou por uma área de difícil acesso.
O fogo, que já é considerado o “maior da história recente” do país , propagou-se rapidamente desde que as autoridades o reportaram na sexta-feira. Depois de ter queimado 80 hectares no primeiro dia, o número subiu para 850 hectares no sábado e atingiu os três mil hectares este domingo .
As chamas chegaram a cerca de 300 metros da fronteira alemã, levando as autoridades a retirar preventivamente os habitantes de algumas localidades dos dois lados da fronteira. Cerca de 600 pessoas foram retiradas de casa e ainda não receberam autorização para regressar.
Três mil hectares ardidos em três dias. Bélgica enfrenta “maior incêndio da sua história recente”
As autoridades belgas explicaram que a topografia de Hautes Fagnes “torna a operação particularmente complexa e impede os serviços de emergência de atacar o fogo em todos os pontos a curta distância com os seus recursos habituais”.
A Alemanha colocou, esta segunda-feira, dois helicópteros NH-90 à disposição da Bélgica. Os aparelhos estão equipados com depósitos de água, conhecidos como bambi bucket , com capacidade para transportar e largar até 2.000 litros de água em cada voo. A missão, de acordo com o Ministério da Defesa alemão, está inicialmente prevista para durar sete dias.
As autoridades belgas abriram, entretanto, uma investigação para apurar a origem do incêndio. O Ministério Público de Liège elaborou um primeiro auto por “incêndio involuntário contra X”, uma qualificação que poderá ser alterada no decorrer das investigações.
“ De momento, a prioridade é controlar o fogo “, afirmou o procurador de divisão Gilles de Villers Grand Champs, acrescentando que “tendo em conta a situação, não é atualmente possível enviar a polícia científica, investigadores e peritos para o terreno”.
“Abrimos um processo e iniciaremos a investigação assim que for possível para determinar as causas deste incêndio. Não podemos dizer, nesta fase, se foi intencional ou involuntário “, disse.
O Rei Filipe da Bélgica desloca-se esta segunda-feira ao centro provincial de crise de Vottem e às imediações das Hautes Fagnes para se encontrar com as equipas mobilizadas no combate ao incêndio.
Vários países europeus estão a ser atingidos por incêndios florestais de grande dimensão.
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