Liechtenstein muda regras de sucessão ao trono
A Lei da Casa Principesca é um estatuto familiar autónomo, mas consagrado na Constituição. A proposta de alteração foi apresentada no final de 2025 e aprovada com a maioria de dois terços necessária na câmara do Liechtenstein, o principado que permanecia como o único na Europa em que o trono era reservado aos homens. A nova lei também inclui “melhorias legislativas” e “novos desenvolvimentos jurídicos”; e resolve “possíveis ambiguidades de interpretação”, diz o comunicado divulgado pela casa real.
“Com esta alteração à lei, queremos garantir que tanto o Principado do Liechtenstein como a Casa Principesca são governados pela pessoa mais bem preparada para esta tarefa”, explica o príncipe herdeiro Alois, regente do Liechtenstein desde 2004 e filho do Príncipe Hans Adam II, chefe de Estado desde 1989 . “Geralmente, trata-se dos filhos e filhas do governante ou chefe de Estado, que crescem em Vaduz e se familiarizam com as características especiais do Principado e da Casa Principesca desde a juventude.”
A alteração na linha de sucessão não afeta os membros já nascidos e passa a valer apenas a partir dos futuros filhos de Alois e a sua mulher, a princesa Sophie. Mesmo assim, a regra não mudaria nada pelo menos pelas próximas duas gerações. Alois é o primogénito de Hans Adam II, e o primeiro na linha de sucessão. Por sua vez, o primeiro filho dos príncipes herdeiros também é um homem: o príncipe Joseph Wenzel, que é o segundo na linha de sucessão. Aos 31 anos, o filho de Alois e Sophie permanece solteiro e sem filhos. Entretanto, se tiver uma filha, esta sim poderá fazer história e ser a primeira mulher a assumir o trono do Liechtenstein.
De recordar que Liechtenstein é uma monarquia constitucional: o que significa que o chefe de Estado é o Príncipe, que chega ao trono de forma hereditária, mas o Governo é formado por um primeiro-ministro. Contudo, com alterações feitas à Constituição em 2003, depois de um plebiscito, o monarca passou a ter amplos poderes, como nomear juízes e demitir membros do executivo, assim como vetar leis. Dez anos após a mudança houve uma nova consulta à população a propor poderes limitados, reflexo de um movimento de ativistas republicanos, mas 76% da população confirmou o poder de veto ao príncipe.
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