A competitividade não é uma concessão à sustentabilidade
A transição energética europeia enfrenta um desafio que vai além das metas ou da tecnologia.
A verdadeira tensão não é entre sustentabilidade e competitividade, mas entre ambição e capacidade de implementação.
Porque a transição não parte de uma folha em branco.
Em 2024, o Relatório Draghi colocou a energia no centro da questão da competitividade europeia.
A mensagem era simples: sem uma indústria competitiva, a Europa não conseguirá liderar a transição energética.
Desde então, a União Europeia tem procurado reforçar a ligação entre descarbonização, energia e política industrial, nomeadamente através do Competitiveness Compass , do Clean Industrial Deal e do mais recente Industrial Accelerator Act , um dos principais mecanismos da sua implementação.
Para a indústria, transformar essa ambição em investimento exige condições económicas, competências, infraestruturas e previsibilidade.
Esta tensão é particularmente visível nos setores intensivos em energia e de difícil descarbonização como o cimento, o vidro, a cerâmica, o papel, a metalurgia e a indústria química.
São atividades com ativos de longa duração, sujeitas a mercados com forte concorrência internacional e com processos difíceis de substituir.
A eletrificação tem um papel fundamental, mas não é a única resposta.
Eficiência energética, recuperação de calor, combustíveis de baixo carbono, hidrogénio, captura e armazenamento de carbono e outras tecnologias podem fazer parte da solução.
A questão é saber em que condições as empresas conseguem adotá-las.
Grande parte da indústria europeia opera infraestruturas construídas ao longo de décadas, que não podem ser substituídas facilmente.
Diminuir emissões significa, muitas vezes, transformar enquanto se continua a produzir.
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