UE considera chocante condenação de opositor russo
A União Europeia considerou esta quarta-feira chocante a condenação do opositor russo Lev Shlosberg a 11 anos de prisão, acusando as autoridades russas de tentarem silenciar quem está contra a guerra na Ucrânia.
“A pena de 11 anos de prisão aplicada a Lev Shlosberg é chocante. As autoridades russas estão a tentar silenciar a oposição e qualquer dissidência contra a sua guerra de agressão. A Rússia deve libertar todos os presos políticos”, afirmou a porta-voz da Comissão Europeia, Anitta Hipper, numa mensagem divulgada nas redes sociais.
Esta terça-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, a porta-voz já tinha considerado que a condenação do opositor russo mostrava que a Rússia não estava apenas a exercer “opressão externa, contra outros países vizinhos, mas também interna”.
“O regime não para perante nada e faz tudo para garantir que todos aqueles que hoje lutam por uma Rússia melhor e mais democrática sejam silenciados”, afirmou Anitta Hipper na altura, reiterando o apelo para que todos os “presos políticos sejam libertados”.
Na segunda-feira, a Justiça russa condenou a 11 anos e um mês de prisão um dos principais dirigentes do partido de oposição Yabloko, Lev Shlosberg, por criticar a campanha militar russa na Ucrânia.
O tribunal de Pskov (noroeste da Rússia) considerou o antigo deputado e vice-presidente do Yabloko culpado de tentar desacreditar as Forças Armadas russas através do que classificou de publicações falsas nas redes sociais.
Numa reação à condenação, o Yabloko , o único partido político registado na Rússia a opor-se à guerra, afirmou que a decisão reflete “o colapso do sistema judicial russo contemporâneo”.
Lev Shlosberg, 63 anos, que já se encontrava em prisão domiciliária desde junho de 2025 e já tinha sido alvo de outras condenações no passado, denunciou perante o tribunal o que considera ser uma “perseguição judicial” por ordem do Kremlin (presidência russa).
A condenação de Lev Shlosberg surgiu depois de, em 10 de agosto, o Supremo Tribunal russo ter proibido o Yabloko de participar nas eleições legislativas de setembro no país.
Em reação a essa decisão do Supremo Tribunal russo, a União Europeia tinha acusado a Rússia de estar “com medo” e querer silenciar “vozes dissidentes”.
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