Israel confirma que entrada de mercadorias em Gaza está suspensa
A coordenadora israelita para os territórios palestinianos ocupados confirmou hoje que a entrada de mercadorias de caráter privado na Faixa de Gaza está suspensa e denunciou que o Hamas está a impor uma taxa de "extorsão" ao comércio.
A acusação foi rejeitada categoricamente pelo movimento islamista palestiniano que assegurou que se trata de uma contribuição voluntária para aumentar a liquidez da economia do enclave devastado.
No seu comunicado de hoje, a COGAT israelita acusa concretamente o Hamas de impor uma taxa de 10.000 xéquels, cerca de 2.800 euros, "por cada camião que transporta mercadorias para Gaza e exige aos comerciantes que vendam aproximadamente 30% das suas mercadorias em dinheiro, num esforço para controlar os lucros".
O Hamas respondeu que a quantia corresponde a uma "iniciativa comunitária voluntária", na qual "participam empresários, para um fundo nacional cujos recursos se destinam integralmente a apoiar os grupos mais vulneráveis, bem como projetos de habitação, saneamento e ajuda humanitária".
Além disso, responde que as medidas relativas às transações em dinheiro, com uma taxa de 30%, foram adotadas "de comum acordo com a Câmara de Comércio, para aliviar a grave escassez de liquidez e o desgaste das notas, e não como uma decisão unilateral nem para controlar os fundos, como a ocupação afirma".
Depois de lembrar que leva "três anos sem impor impostos ou taxas governamentais aos camiões comerciais, tendo em conta as circunstâncias excecionais", numa referência à guerra em Gaza, o Hamas denuncia que Israel está a impor "narrativas falsas sobre os mecanismos para regular o comércio e a entrada de mercadorias".
Por seu lado, a COGAT insiste que o que o Hamas está a fazer é uma "imposição fiscal forçada" acompanhada de "ameaças contra os comerciantes, que se recusam a cumprir as suas exigências", e aponta precisamente os negócios como responsáveis por "suspender a coordenação dos camiões que transportam mercadorias para a Faixa de Gaza até novo aviso, por receio real pelas suas vidas e segurança", outro aspeto que o movimento islâmico palestiniano desmente categoricamente.
Em qualquer caso, o tema já é do conhecimento do organismo internacional encarregado de gerir o futuro pós-guerra na Faixa de Gaza, a Junta de Paz, cujo diretor-executivo, Nikolai Mladenov, se colocou ao lado da COGAT e denunciou "práticas inaceitáveis" do Hamas que devem "terminar imediatamente".
Para o diplomata búlgaro, incidentes como estes demonstram a importância de pôr em marcha as atividades da nova autoridade tecnocrata palestiniana e da Força Internacional de Estabilização, que deve acompanhar o seu mandato para preservar a sua segurança na Faixa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - Mundo.