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Este governo está sempre a esconder-se debaixo da cama

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Este governo está sempre a esconder-se debaixo da cama

Ronald Reagan, Margaret Thatcher e, claro, Cavaco Silva gabavam-se, com razão, de terem a capacidade quase sobrenatural de falar diretamente com os eleitores. Cavaco até gostava de notar que não dedicava um único minuto do seu dia a ler jornais ou a falar com jornalistas. De facto, não havia motivos para perder tempo com essa gente pouco confiável quando podia, simplesmente, por atos, palavras ou omissões, comunicar os seus planos a cada português sem intermediários e convencê-lo de que ele, e só ele, era portador da razão. Um político que tenha a capacidade mediúnica de fazer isso é um líder; um político que não a tenha é um gestor de economato ou um fiel de armazém.

Luís Montenegro tem proclamado inúmeras vezes que, quando for grande, quer ser igual a Cavaco Silva; mas, desgraçadamente, o tempo passa e ele não consegue, de maneira nenhuma, ser igual a Cavaco Silva. Em vez de falar com os eleitores ignorando os jornalistas, Montenegro queixa-se dos jornalistas que não o ajudam a falar com os eleitores. No seu discurso da rentrée , lacrimejou sobre uma nova “espécie de censura moderna” em que “as pessoas só conhecem, sabem e debatem os assuntos mais polémicos”, deixando “aquilo que é mais importante escondido em notas de rodapé ou mesmo omitido dos grandes espaços de veicular e comentar a informação”.

Este queixume tem especial graça porque o primeiro a “esconder” aquilo que “é mais importante” é o próprio Luís Montenegro. Esta semana, o grupo de trabalho que foi nomeado por este governo para estudar as pensões apresentou as suas esforçadas conclusões e, subitamente, uma parte do país entrou em apoplexia. O PS, o PCP, o BE, o Livre e o Chega, coitados, não acreditam que temos um problema na nossa segurança social. A diferença entre o último salário e a pensão efetivamente paga a quem se reforma é cada vez maior, mas aqueles dirigentes partidários, estando habituados a viver em Marte, ainda não deram por nada. Eles rasgam a camisa e arrancam os cabelos de cada vez que falam sobre os pensionistas, mas tudo indica que nunca se terão dado ao trabalho de falar com os pensionistas. Qualquer reformado lhes poderia explicar em dois minutos (ou, aos mais espessos, em três) que não faz sentido insistir na ideia extraordinária de que o sistema de pensões dá lucro quando as pensões deles lhes dão prejuízo.

Lamentavelmente, estes protestos dos partidos assustaram o governo, que foi mais uma vez a correr esconder-se debaixo da cama, tomado por tremeliques e suores frios. O relatório completo ainda nem era conhecido e fontes oficiais próximas do primeiro-ministro já estavam a jurar, enquanto se aspergiam com água benta, que Luís Montenegro não pretendia fazer qualquer reforma estrutural do sistema de pensões. É uma deprimente confissão de incompetência e de impotência: o primeiro-ministro sabe que temos um problema, mas decide não fazer nada para o resolver porque se sente incapaz de conseguir o apoio dos eleitores.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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