Nepal: Enxurrada faz 98 mortos e centenas de desaparecidos
O s meios estatais da China reportaram um "elevado balanço humano" após uma enxurrada de lama sobre um importante posto fronteiriço do Tibete, dando conta de pelo menos três mortos e 265 pessoas desaparecidas.
Num vídeo de vigilância verificado pela agência francesa AFP, um edifício de vários andares e pessoas que tentavam fugir são subitamente engolidos por uma vaga muito potente.
Outro vídeo, também autenticado, mostra uma vaga gigantesca a atingir um parque de estacionamento sobre um rio que momentos antes se apresentava calmo, varrendo autocarros e edifícios.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, apelou à nação dos Himalaias para "permanecer unida" e assegurou que o Estado estava do lado dos nepaleses "com todos os meios e recursos".
As equipas de socorro continuavam hoje à noite (hora local, mais 04:45 do que em Lisboa) a escavar a lama e os escombros à procura de sobreviventes.
Entre os estrangeiros figuram norte-americanos, indianos, britânicos, malaios e um australiano, além de 62 visitantes nepaleses.
Uma portuguesa está também entre os desaparecidos, disse à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
O chefe da diplomacia do Nepal, Shishir Khanal, admitiu que um sismo poderá ter provocado um deslizamento de terra que obstruiu um rio, originando uma súbita e violenta subida das águas.
Dados de satélite da Planet Labs sugerem que um "deslizamento de neve e rocha" na fronteira sino-nepalesa poderá ter desencadeado a enxurrada, disse a Autoridade Nacional de Redução e Gestão do Risco de Desastres.
O jornal The Kathmandu Post noticiou que a impossibilidade de os governos do Nepal e da China contactarem autoridades nas zonas afetadas, devido à destruição de infraestruturas, estava a dificultar a recolha de informações para determinar a causa da catástrofe.
A vaga atingiu Syabrubesi, ponto de partida para a célebre rota de caminhada de Langtang, bem como zonas frequentadas por turistas e peregrinos hindus a caminho do monte Kailash Mansarovar.
Os residentes locais ficaram traumatizados com a catástrofe, enquanto peritos alertaram que a obstrução persistente do curso de água pode desencadear uma nova torrentes devastadora.
"Recebi uma chamada do meu cunhado esta manhã. Estavam a chorar e disseram-me que a casa deles tinha sido levada pelas águas. Três membros da família foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido", contou Raju Bhadel, 56 anos.
O exército nepalês retirou 114 pessoas no distrito de Rasuwa, uma das zonas mais afetadas, segundo o gabinete do primeiro-ministro.
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