Schroders diz que regra de 60/40 não está morta, mas precisa de ajustes face ao risco de estagflação
A clássica carteira 60/40 (60% ações e 40% obrigações) continua viável mesmo em cenários de estagflação, embora necessite de ajustes para melhorar a resiliência, defende a análise de Duncan Lamont, responsável de investigação estratégica da Schroders que aborda a questão de saber se a tradicional regra de repartição da carteira de investimento chegou ao fim e a questão de saber como revitalizá-la em períodos de estagflação.
A análise, assinada por Duncan Lamont, CFA e Head of Strategic Research da gestora britânica, cruza 100 anos de dados, entre 1926 e 2025, e conclui que a diversificação, ainda que menos fiável em estagflação, não desaparece.
O estudo, divulgado esta semana, destaca que os riscos de estagflação — inflação elevada combinada com crescimento fraco — estão a aumentar e colocam pressão simultânea sobre ações e obrigações.
Em períodos de inflação alta, as correlações entre os dois ativos tendem a tornar-se positivas, reduzindo o papel tradicional de diversificação das obrigações.
“Raramente passa um ano sem que se afirme veementemente que a carteira clássica 60/40 (60% ações, 40% obrigações do Estado) já não é adequada.
Com a estagflação a ameaçar tanto as ações como as obrigações, este é mais uma vez um tema prioritário”, refere o estudo da gestora de ativos britânica.
Apesar disso, Lamont considera exagerados os anúncios de morte da estratégia.
Com base em dados desde 1926, o retorno real mediano anual de uma carteira 60/40 em anos de estagflação superou o das ações ou das obrigações isoladas.
A 60/40 também ultrapassou o numerário em 65% desses anos, face a 59% das ações isoladas.
“Os relatórios da morte da 60/40 foram muito exagerados”, escreveu Lamont.
“A diversificação pode ser menos fiável, mas não desaparece por completo”.
O argumento contra a 60/40 neste regime económico é conhecido.
Do lado das ações, o crescimento baixo penaliza as vendas num momento em que as empresas e os consumidores cortam gastos.
A inflação alta complica ainda mais, pois numa economia pujante, as empresas conseguem repassar custos, mas com procura fraca, são as margens que sofrem.
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