CIP queria mais competitividade no discurso do Estado da União
A CIP – Confederação Empresarial de Portugal considera positivo que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tenha reconhecido no Parlamento Europeu a seriedade dos desafios com que a Europa se confronta e a necessidade de assumir uma maior responsabilidade pelo seu futuro.
“A CIP gostaria, no entanto, que a competitividade, enquanto prioridade económica transversal, tivesse tido um maior protagonismo no discurso sobre o Estado da União Europeia”, refere a organização em comunicado.
“É significativo que a competitividade, que era apresentada como a prioridade central da Comissão Europeia, tenha sido agora secundarizada”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP.
“Os países europeus e as suas empresas não podem permitir que isso aconteça, uma vez que os problemas identificados pelo Plano Draghi estão longe de estar resolvidos”.
Para a CIP, a solução destes problemas passa “por dar prioridade ao aumento da competitividade, conciliando-a com as políticas europeias de coesão”.
Segundo a CIP, para quem investe e produz na Europa, a realidade continua a ser de custos de energia elevados, demasiada complexidade regulatória e um Mercado Único que ainda está longe de funcionar como tal.
“As empresas não sentem ainda, no seu dia a dia, os resultados prometidos”, afirma Rafael Alves Rocha.
“A Europa precisa de maior celeridade na decisão e na execução: o sucesso não pode ser medido pelo número de novas iniciativas ou estratégias, tem de ser medido pela capacidade de as concretizar e pela diferença que fazem para quem investe, produz, emprega e compete na Europa”.
A Confederação Empresarial de Portugal partilha as preocupações de Ursula von der Leyen com as distorções do comércio internacional e as dependências externas excessivas, nomeadamente em relação à China.
“A Europa tem de ser capaz de responder de forma firme às práticas comerciais desleais e às distorções que colocam as empresas europeias em condições de concorrência desigual”, afirma o diretor-geral da CIP.
Segundo Rafael Alves Rocha, isso não significa fechar o mercado europeu, mas implica, por exemplo, que a União Europeia seja célere a concluir uma investigação “antidumping”.
Pois tantas vezes acontece que quando essas investigações terminam já as empresas fecharam portas.
“É necessário diversificar fornecedores e encontrar alternativas, adaptar cadeias de valor e, muitas vezes, aceitar inputs mais caros: a União Europeia não pode é pedir às empresas que aumentem a sua resiliência sem criar as condições para que estas o possam fazer sem perder ainda mais competitividade”, afirma Rafael Alves Rocha.
“A Comissão Europeia tem de encontrar um mecanismo justo e equilibrado para repartir o custo desta resiliência”, enfatiza a associação patronal.
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