Afinal economia pode crescer 2,2% este ano, prevê Conselho das Finanças Públicas
O Conselho das Finanças Públicas (CFP) reviu em alta a previsão de crescimento do PIB para 2026, de 1,6% para 2,2%, mas antecipa uma abrandamento progressivo a partir de 2027 .
O fim do impulso do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a menor contribuição da população ativa e a necessidade de aumentar a produtividade são os principais fatores que condicionam o crescimento no médio prazo.
No curto prazo, energia, juros e conjuntura externa concentram os maiores riscos, de acordo com o relatório “Perspetivas Económicas e Orçamentais 2026-2030 (atualização)”, divulgado esta quinta-feira.
Guerra e temporal levam CFP a cortar crescimento para 1,6% Ler Mais A melhoria da projeção para 2026 resulta de uma primeira metade do ano mais robusta do que o esperado, apesar das tempestades que atingiram o país e do choque energético provocado pelo conflito no Médio Oriente.
Mas a aceleração deste ano não deverá prolongar-se: o CFP projeta um crescimento de 1,8% em 2027, 1,7% em 2028 e 2029 e 1,6% em 2030.
O cenário traçado pelo CFP mostra assim uma economia capaz de absorver os choques de curto prazo, mas confrontada com limitações estruturais que tornam mais difícil sustentar ritmos de crescimento elevados no final da década.
A instituição, liderada por Nazaré Costa Cabral, conclui que, perante o envelhecimento da população e menores fluxos migratórios, o crescimento dependerá cada vez mais dos ganhos de produtividade, à medida que o contributo do emprego para o PIB diminui.
A revisão do crescimento deste ano assenta numa economia que revelou uma resiliência superior à antecipada no primeiro semestre.
O PIB real cresceu 0,8% em cadeia no segundo trimestre, depois de apenas 0,1% nos primeiros três meses, levando a um crescimento acumulado de 1% no primeiro semestre .
O desempenho foi particularmente relevante porque ocorreu num contexto de tempestades e de forte subida dos preços energéticos.
O principal motor continuará a ser a procura interna.
O CFP prevê um crescimento de 3,2% do consumo privado, bastante acima dos 2,1% previstos em abril.
A revisão reflete um crescimento dos rendimentos do trabalho superior ao anteriormente antecipado, com as remunerações por trabalhador a crescerem 4,9%, bem como o efeito do suplemento extraordinário para pensionistas , avaliado em cerca de 400 milhões de euros.
A utilização de poupança pelas famílias para acomodar o aumento dos custos dos combustíveis também ajudará a sustentar o consumo.
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