Eva Menasse: “Na Áustria, como na Alemanha, os judeus eram o bode expiatório perfeito”
Vienna , o seu primeiro romance, saiu há duas décadas e nasce da história da sua família.
Como é que uma família judia conseguiu sobreviver em Viena durante a Segunda Guerra Mundial? Parece um milagre.
Porque a minha avó não era judia e decidiu não se divorciar do meu avô judeu.
Nestes casos, a Gestapo tentava forçar o divórcio, e há investigação histórica sobre isso: muitos homens não judeus aproveitaram a oportunidade para se separarem das mulheres, enquanto as mulheres não judias, em geral, não se divorciavam.
Provavelmente por terem uma visão mais tradicional da família.
A minha avó sofreu todas as leis antissemitas depois de decidir não se divorciar.
Tiveram de se mudar para um apartamento com outros judeus.
Muitos foram deportados, pouco a pouco.
Mas não se podia deportar alguém que ainda tivesse um cônjuge ariano, e o meu avô estava nessa situação.
Tiveram de mandar os filhos embora para o estrangeiro, o que foi a parte mais cruel de toda a experiência.
Ela ficou com ele até ao fim da guerra.
Depois estavam livres e podiam tentar encontrar os filhos.
Mas houve membros da família que não sobreviveram.
A minha bisavó, mãe do meu avô, tinha mais de 80 anos e foi enviada para Theresienstadt, ou Terezín, onde foi morta.
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