MAI avança com queixa-crime contra Ricardo Carrilho
Ricardo Carrilho, ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI), acusa Luís Neves, atual ministro da Administração Interna, de acordar projetos de obras e de reforço da rede de comunicações do SIRESP diretamente com empresas , em vez de garantir concursos públicos. Numa entrevista publicada na edição desta sexta-feira do Nascer do Sol garante que o membro do Governo lhe falou da Construbarcelos, a empresa do empreiteiro que fez obras ao ministro e ganhou 17 contratos com a PJ, “muito antes de o escândalo rebentar”.
Conta que a menção à empresa surgiu numa conversa sobre dezenas de esquadras e postos para a PSP e GNR que estavam em “diferentes fases de obras ou de lançamentos de obras, que a Secretaria-Geral tinha em mãos”.
“Disse-me que conhecia empresas com que tinha trabalhado na PJ nestas áreas, que podiam fazer estas obras com rapidez e qualidade. Entre elas, segundo me recordo, constava a Construbarcelos . Eu lidava com centenas de empresas de construção civil e nunca tinha ouvido falar nesta”, afirmou o secretário-geral exonerado ao semanário.
O secretário-geral exonerado explica ainda como entrou em colisão com o Governo quando lhe foi dito que o grupo DST, em consórcio com a SolMaior, teria de ser o escolhido para fornecer comunicações a freguesias e municípios através da Starlink. Carrilho garante ao Nascer do Sol que recusou o nome da empresa, exigindo que fosse selecionada através de um concurso público .
“Não posso provar isto. Mas não posso excluir que, tendo o ministro reunido com os donos da empresa antes, e tendo conhecido o caderno de encargos antes de ele ser público, isso tenha condicionado o preço que a DST apresentou”, refere ainda.
A DST/SolMaior acabou por ganhar um concurso do MAI de 4,5 milhões para garantir o reforço da rede de comunicações do SIRESP .
Sobre o seu afastamento da Secretaria-Geral do MAI, garante que esta se tornou “incómoda”. “Incómoda ao colocar um conjunto de questões relativamente ao SIRESP. O ministro Luís Neves não quer extinguir o SIRESP, aliás contra o programa de Governo e contra o que pensa o seu próprio secretário de Estado adjunto, Paulo Simões Ribeiro”, denunciou ainda.
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