Custo de vida aquece debate: Esquerda ataca Governo por falta de soluções
O s partidos da esquerda acusaram hoje o Governo de alheamento da realidade e de insuficiência de medidas para responder ao aumento do custo de vida, com o executivo a insistir que não vai abdicar de "contas certas".
Na abertura da interpelação ao Governo agendada pelo PCP sobre custo de vida, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, elencou vários dados e medidas do Governo para responder à subida dos preços, fazendo a defesa da política económica do executivo e frisando que é preciso "ter contas certas para poder chegar às contas justas".
"Desenganem-se quer o PCP, quer os deputados que ainda sobrevivem nas saudades do PREC. Para este executivo, o equilíbrio orçamental nunca foi, nem nunca será, um fim em si mesmo. O rigor orçamental é, para nós, essencial porque constitui um elemento indissociável da possibilidade de poder existir a justiça social", sublinhou.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, na primeira intervenção de um debate que acabou por se centrar no problema da habitação, criticou uma "política egoísta, violenta e ao serviço da especulação imobiliária e dos especuladores" e de "promoção das injustiças e desigualdades", pedindo uma "verdadeira política de habitação".
Pelo PS, João Torres acusou o Governo de ter semeado ventos cujas tempestades quem está a colher agora são os portugueses, convidando "o Governo a enfrentar a realidade", a "abandonar a arrogância e a deixar de ignorar alertas".
Sandra Pereira, do PSD, aproveitou esta intervenção para ironizar e dizer que o PS "tem uma fé extraordinária neste Governo" ao exigir soluções para problemas que, "não só não resolveram nos tempos em que governaram o país, como os deixaram agravar".
"Eu queria perguntar-lhe que autoridade moral tem o PS para falar do custo de vida quando em 2022, com a inflação no 7,8%, um choque brutal no custo de vida, o que é que os senhores fizeram? Decidiram não atualizar as pensões de acordo com a lei, não cumpriram sequer a fórmula de atualização das pensões", acusou a social-democrata.
João Torres acusou o Governo e as bancadas parlamentares que o suportam de estarem "perfeitamente alheados da realidade", apontando que a deputada do PSD de "não ser capaz de ter uma palavra de empatia para com quem está a passar por dificuldades" e falar de estatísticas que não respondem às dificuldades do custo de vida diárias.
Jorge Pinto, co-porta-voz do Livre, juntou-se às críticas sobre o alheamento do Governo, acusando o executivo de "governar para a bolha" e sublinhando que "as pessoas não comem números" e "não pagam a renda com estatísticas".
O PAN, pela deputada Inês de Sousa Real, também criticou os números trazidos a debate pelo executivo, apontando que "há portugueses, neste momento, que trabalham e não conseguem pagar casa".
Pelo JPP, o deputado único Filipe Sousa considerou que os direitos não podem existir apenas no Diário da República e depois não se fazerem sentir na vida dos portugueses, a quem as respostas para fazer face ao aumento do custo de vida "não estão a chegar".
António Carneiro, do Chega, considerou que este debate foi "uma sessão de teatro parlamentar", defendendo que "o Governo tem de responder pelo p
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