Nobel de Química 2026: quem são os cientistas que desvendaram o mistério das moléculas-espelho
O francês Henri B.
Kagan, de 95 anos, e o japonês Kenso Soai, de 76, receberam nesta quarta-feira (7) o Nobel de Química de 2026, concedido pela Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo.
Os dois foram reconhecidos pela descoberta de efeitos não lineares e da autocatálise na síntese orgânica assimétrica.
Estes trabalhos que ajudaram a solucionar um antigo mistério da química: por que moléculas que podem existir em duas formas espelhadas aparecem na natureza, muitas vezes, em apenas uma delas.
A questão pode ser entendida pela comparação com as mãos.
Uma mão esquerda e uma mão direita são imagens espelhadas, mas não podem ser sobrepostas perfeitamente .
Algumas moléculas apresentam a mesma característica e possuem duas versões, chamadas “enantiômeros”.
Embora tenham estruturas muito parecidas, as duas formas podem interagir de maneira diferente com outras moléculas .
Isso é especialmente importante nos organismos vivos e na produção de medicamentos .
Os aminoácidos que formam as proteínas, por exemplo, existem em duas versões espelhadas, mas a vida utiliza predominantemente uma delas .
Na indústria farmacêutica, controlar qual das duas formas será produzida pode ser fundamental, já que versões diferentes de uma mesma molécula podem ter efeitos biológicos distintos.
Foi justamente esse problema que Kagan e Soai ajudaram a desvendar.
Em 1986, Kagan demonstrou que pequenas diferenças entre as formas espelhadas de determinados catalisadores poderiam ser amplificadas durante uma reação química, fenômeno conhecido como efeito não linear .
O trabalho mostrou que era possível favorecer a formação de uma das versões moleculares.
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